Márcia HilgembergeHistória perdidaHidário: ‘‘O povo foi morrendo e outros foram embora. Nós sabemos pouco da história dos antigos’’As famílías de Campina dos Morenos ainda sobrevivem do escambo (troca de mercadorias), que ainda é prática comum entre elas. O que não conseguem com o escambo, compram com o dinheiro das aposentadorias ou com o excedente da produção de feijão.
O aposentado Generoso Campos, 79 anos, diz que quando vai até a cidade para receber a aposentadoria ouve falar em presidente da República e prefeito. ‘‘Mas eu não sei quem são esses homems. Alguns políticos só vem aqui na época das eleições. Depois eles não vêm mais nos visitar’’, lamenta.
Campos também não pensa em viver na cidade e lembra com saudade dos tempos em que haviam mais pessoas na comunidade. ‘‘Apesar das dificuldades todos eram amigos. Aqui era um lugar povoado. Hoje em dia quase não tem ninguém. Os velhos morreram e os novos venderam as terras e foram embora. As poucas famílias que ainda ficaram são muito desunidas’’, afirma.
Todos os moradores da comunidade sobrevivem da agricultura e alguns trabalham como bóia-fria nas fazendas da região. Cada família tem em média três alqueires de terra. Elas não preservam costumes, tradições, hábitos ou crenças de seus antepassados. A comunidade segue a religião católica e todo mês tem missa na igreja da comunidade. A única festa que realizam é a do padroeiro São Martinho de Lima, no dia 5 de novembro.

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