Escala provoca revolta de PMs
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de julho de 1998
Luciane Tonon 
A portaria sobre escalas de trabalho baixada no início de julho pelo tenente-coronel José Roberto Simões, do 2º Batalhão da Polícia Militar de Jacarezinho, provocou revolta entre policiais da região, principalmente dos destacamentos militares de cidades de pequeno porte.
A portaria determina que em Destacamentos da Polícia Militar (DPM) com efetivo disponível de até nove policiais, deverá ser elaborada escala de serviço de 24h por 24 horas, com dois PMs em viaturas e um de plantão no pelotão. Se o efetivo for insuficiente para a referida escala, o comandante da companhia deverá procurar outra alternativa, devendo sempre manter a viatura em atividade operacional com dois policiais.
A reclamação é que trabalhando 24 horas e descansando outras 24h, o policial não tem tempo para ficar com a família. Percebemos o empenho dos policiais nas ruas, mas ao mesmo tempo, o descontentamento das famílias que praticamente não aproveitam a presença do pai ou do esposo em casa, disse o vereador Gilmar Cândido (PFL). Segunda-feira, ele vai apresentar ofício na Câmara para pedir explicações do Comando Geral da PM sobre o assunto. Segundo Cândido, a jornada normal de trabalho para PMs é de 180 horas. E eles estão trabalhando 360 horas. Vemos inclusive a possibilidade de entrar com processo indenizatório contra o Estado para que policiais dos 28 municípios que o 2º BPM abrange, recebam estas horas extras, afirmou.
O tenente-coronel Simões alegou que a escala ainda está em estudo e poderá ser mudada. Simões afirmou que as cidades sedes de Cias e pelotões que integram o 2º BPM são quase todas de médio e pequeno porte. As estatísticas demonstram que os índices de criminalidade e violência estão sob controle, refletindo um número reduzido de ocorrências atendidas.
Segundo ele, o desgaste físico e mental do PM aplicado no policiamento também é reduzido, podendo assim concorrer a escalas com turnos maiores, diminuir o número de equipes e consequentemente o trabalho do grupo. Durante as jornadas de 24 horas de serviço, os PMs fazem refeição em suas residências, justamente para ficar mais próximos da família, disse.
Em destacamentos com efetivo disponível acima de 10 PMs, deverá ser elaborada escala de serviço de 24h por 48 horas, com uma ou mais equipes de dois PMs na viatura e um de plantão na sede da Companhia. Na segunda folga das 24 horas, os PMs deverão ser empregados das 10h às 15 horas no policiamento a pé, na área central da cidade, com uma hora de folga para almoço, priorizando o setor bancário, comercial e atividades de trânsito.


