Esposas de policiais do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina estão revoltadas com a nova escala de serviço implantada recentemente pelo comando da corporação. Segundo elas, o aumento da carga horária de serviço está afetando o desempenho profissional dos policiais e criando graves problemas familiares. ‘‘Tem semana que eu não vejo meu marido. Nossos filhos estão reclamando com muita razão, pois também estão sofrendo com a falta da presença do pai’’, afirmou a esposa de um policial que pediu para não ser identificada. Conforme informações colhidas pela Folha junto ao 5º BPM, os policiais estão cumprindo jornada de trabalho com mais de 44 horas semanais e as folgas, na maioria das vezes, não alcançam 12 horas.
Um soldado contou à Folha que na semana passada ficou apenas um dia em casa. Ele mora em uma cidade vizinha e não teria tempo para retornar ao quartel no mesmo dia para cumprir a escala extra. ‘‘Eu havia saido do serviço às 7 da manhã e fui notificado que deveria cumprir uma escala extra às 13 horas. Se fosse para casa e retornasse para chegar ao quartel gastaria por volta de quatro horas e não teria tempo para eu descansar. Nestos casos estou preferindo dormir na casa de minha irmã que mora na zona norte. Minha mulher não quer entender o motivo de eu ficar fora de casa e constantemente está brigando comigo’’, contou. Outro soldado disse que seus companheiros estão na mesma situação e mostram pouco desempenho e desmotivação no trabalho.
O comandante do 5º BPM, major Manoel da Cruz Neto, confirmou que a carga dos soldados aumentou para melhorar o policiamento ostensivo na cidade. ‘‘É natural que toda modificação provoque uma reação. No entanto, nós da polícia temos o dever de ter preocupação com a segurança da cidade, mesmo que isto exija nosso sacrifício’’, afirmou o comandante. Ele disse que o sistema de carga horária está servindo como ‘‘laboratório’’ e que se não der certo vai discutir outra proposta.

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