O estudante Augusto Henrique da Silva, 17 anos, é vizinho da barragem da Hidrelétrica Laranjinha, no rio de mesmo nome, próxima ao bairro rural Casa Branca, em Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho). Mesmo jovem, ele se lembra de quando a pescaria era farta na região. Hoje, são poucos os exemplares que tentam romper a barreira. Enquanto isso, uma escada para peixes praticamente pronta não funciona por supostos problemas na licitação.
A usina ficou pronta em 1957, mas, de acordo com moradores da região, nunca entrou em operação. Atualmente, serve apenas para impedir a subida dos peixes e dificultar a procriação no Laranjinha, um dos rios mais importantes do Norte Pioneiro.
''Antes muita gente tirava bastante peixe. Hoje tudo é desmatado e cai muito veneno das plantações dentro da água. A fiscalização também está mais forte'', comenta Augusto Henrique, mostrando consciência ambiental. O pai dele, Geraldo Adécio Noronha, 42, conta que costumava pescar com vara de bambu. ''Nós também ajudamos a cuidar. Se eu vejo alguém pescando de tarrafa já chamo a polícia'', garante.
A preocupação em cuidar do rio mostra-se necessária na prática. Com a pesca escassa, os moradores da região aguardam com ansiedade a obra de transposição do obstáculo criado pelo próprio homem.
A possível solução, a exemplo do problema antigo, tem se arrastado por anos. Um procedimento cobrando providências sobre a barragem está em andamento na promotoria de Justiça de Ribeirão do Pinhal desde 1999.
Na semana passada, a promotora Kele Cristiani Diogo Bahena encaminhou ofício ao escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de Cornélio Procópio um pedido de informações sobre o andamento da obra.
Até hoje ela não conseguiu o projeto da barragem, que estaria perdido na burocracia do Estado. O próprio IAP teria informado que não há documentos referentes à usina nos seus arquivos.
O chefe-regional do IAP em Cornélio Procópio, José Mariano de Macedo, disse que a conclusão da obra da escada depende de um aditivo para perfuração da barragem. Ele admite que o atraso traz danos ambientais. ''Há prejuízos em termos cronológicos. Estamos na piracema e essa situação vai interferir na reprodução dos peixes. Nessa piracema a escada já estaria dando resultados'', afirma.

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