Esbanjando saúde e simpatia
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quinta-feira, 23 de junho de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Cambé - Pense numa turma que dá de dez a zero no desânimo. Falou em dançar, pular, correr e arremessar, eles estão no meio. Com a galera da terceira idade que participa da 4ª edição das Olimpíadas do Idoso de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) não tem tempo ruim. O evento, já tradicional no calendário municipal, começou ontem e vai até o próximo dia 29, com a participação de cerca de 350 idosos com mais de 60 anos, em 13 modalidades.
A dona de casa Maria de Sousa, de 62 anos, já é figurinha carimbada do evento. Ela participa pela segunda vez, mas parece até que está desde a primeira, tamanha é a intimidade com o restante dos participantes e comissão organizadora. Apesar de nunca ter sido atleta, a simpática senhora tem um caso de amor com o esporte. "Já faz 15 anos que faço ginástica e eu adoro. É uma terapia para mim, estar com os amigos, mexer o corpo, faz muito bem em todos os sentidos", contou.
A animação dela contagia a todos. "Eu sou assim. Estava ficando enferrujada, com dores e depois que comecei passei a me sentir mais jovem. Ano passado eu tinha 16 anos, agora estou com 26", brincou ela, fazendo um trocadilho com a idade. "É só inverter", continuou, antes de soltar mais uma larga gargalhada.
Para a aposentada Iraci Gomes, de 73 anos, o esporte tem um significado ainda maior. Foi ele quem a ajudou a superar a fase mais complicada de sua vida. "Eu tive um câncer de mama em 1997, fui operada e hoje estou curada, graças a Deus. E o esporte ajudou muito a ter mais força. Com ele não tenho mais dor nenhuma. Antes eu nem conseguia fazer isso aqui ó", disse a orgulhosa idosa, enquanto encostava as duas mãos nas pontas dos pés sem reclamar.
Iraci não gosta nem de lembrar dos tempos difíceis. Agora seu lema é aproveitar a vida. "Tem muito idoso que acha que a vida está no fim, eu não. Para mim, na verdade está começando. Quero viver até os 103 anos, por isso estou sempre me cuidando, ocupando a mente. Ainda tenho muita coisa boa para viver e o melhor é me sentir bem. Devagar eu chego lá", garantiu.
Enquanto isso, no torneio de chute a gol, um senhorzinho quietinho não deixava passar a sua vez. Era o aposentado Luiz Moreno. Aos 77 anos, ele diz porque não abre mão de participar das Olimpíadas. "Cada vez que venho aqui é como se eu ganhasse um dia a mais de vida", afirmou. E o jeitão sossegado tem explicação: era concentração. "Já ganhei oito medalhas e vou levar mais uma casa hoje, você vai ver", prometeu o ex-recepcionista da Prefeitura de Cambé.
TORCIDA
E quem pensa que o negócio não é levado a sério se engana. Há uma competição, sadia, entre os grupos de ginástica do programa da terceira idade promovido pela Secretaria Municipal de Esportes de Cambé. E tem até torcida. "Eu só vou competir mais tarde, mas enquanto isso estou aqui na torcida. Duvido alguém gritar mais alto que eu aqui, do meu lado ninguém fica quieto, não. A nossa equipe é muito unida, é uma família, me divirto demais com minhas amigas", comentou a dona Terezinha Medeiros, de 72 anos.
"Eu tive que vir, não teve jeito", disse em tom de brincadeira a neta da dona Maria de Sousa, Maria Giovanna Sousa Lima, de 15 anos. "Mas pela minha vó eu venho, porque isso é importante para ela. Nós adoramos esse jeitão dela, é um exemplo para mim e toda a nossa família", continuou a jovem, enquanto observava atenta a avó em ação no arremesso de peso.
Para a organização do evento, o retorno para os participantes vai muito além da competição. "Além da valorização da prática esportiva, constatamos o aumento da autoestima, o fortalecimento do lado motor, da autonomia. É um grande ganho para todos", apontou o coordenador Eduardo Pereira Fiel.


