Erros preocupam docentes
Em dois dias de correção das redações do vestibular da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, 10 mil provas já passaram pela equipe de 23 professores. Ninguém conseguiu tirar a nota máxima (10) até ontem à tarde, menos de dez obtiveram nota 9, várias provas receberam zero e cerca de 5% sequer escreveram a redação. A média das notas está entre 4 e 6, valor baixo para quem tenta uma vaga para os cursos mais procurados, como medicina e direito.
Mas estas notas não são definitivas. Para garantir maior diversidade de opinião, as provas serão corrigidas por dois professores. Caso exista uma diferença de nota de 3 ou mais pontos entre os dois, uma terceira avaliação será feita. Neste ritmo, o coordenador da correção das redações, Jayme Bueno, garante que o trabalho de correção das quase 17 mil provas estará concluído até a próxima quarta-feira.
Com um tema que envolvia ética, valores morais, racionalidade econômica e amizade, as redações deste ano têm menos erros ortográficos e de pontuação do que em anos anteriores. Mesmo assim, houve quem escrevesse a palavra ouça do verbo ouvir com ‘‘h’’ e dois ‘‘esses’’ (houssa) ou a palavra acho com ‘‘i’’ e ‘‘x’’, ficando ‘‘aixo’’. Também teve quem tirou a letra ‘‘h’’ do verbo haver, ficando ‘‘aver’’.
Em compensação, as ‘‘pérolas’’ ficaram por conta das palavras inventadas, redações sem nenhuma estrutura, repetição de velhos chavões, criação de imagens e comparações sem sentido. ‘‘Tem gente que começa a escrever e só vai colocar um ponto no final’’, disse o professor Basílio Agostini. Um dos problemas, para o professor Orlando Bogo, é que os alunos pensam que para uma boa redação são necessárias palavras difíceis. ‘‘Falta vocabulário e eles acabam criando barbaridades’’, comentou. A professora Marta Morais da Costa lembra, ainda, que muitos acabam se perdendo no meio do texto e grande parte procura tirar uma lição moral no final da história.
O tema, considerado fácil, também acabou gerando uma série de redações pessoais. ‘‘Nota-se que há falta de leitura. As redações têm argumentos, mas sempre baseados na vivência pessoal, faltando coesão. Como o tema facilitava a confissão, o depoimento, muita gente acabou se descuidando da linguagem, como se estivesse conversando’’, afirmou Marta. A professora disse se preocupar, ainda, com os valores mostrados pelos alunos na maioria das redações. ‘‘Para eles, amizade e dinheiro não podem existir juntos, e o dinheiro deve sempre se sobrepor à amizade’’, disse. (M.G.)