Erros deixam paciente sem atendimento adequado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de agosto de 2004
Silvana Leãoe Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O equívoco de um médico, a superlotação dos hospitais de Londrina e a burocracia do Estado para liberar ambulâncias retardaram o atendimento adequado ao açougueiro Osvaldo Alves da Silva, 45 anos, vítima de meningite meningocócica. Somente no final da tarde de ontem ele conseguiu um leito em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no Hospital Universitário (HU).
Desde às 23h30 de terça-feira, Silva estava internado no Hospital da Zona Sul (HZS), para onde foi levado por um vizinho. Pouco antes, ele havia sido atendido no Hospital da Zona Norte (HZN), de onde foi liberado sem diagnóstico de meningite. Sidney Dias, que ajudou a socorrer o açougueiro, estava inconformado ontem com o atendimento prestado pelo HZN.
''Eu levei ele para lá por volta das 21 horas. O médico de plantão mandou aplicar uma injeção de Benzetacil e deu alta, sem fazer nenhuma recomendação e nem receitar mais nada'', explicou Dias. Segundo o vizinho, logo depois que deixou o amigo em casa, a mulher dele ligou novamente, dizendo que o marido estava piorando. ''Coloquei ele no carro de novo e trouxe para o Zona Sul, só que ele já chegou aqui inconsciente. Não entendo como um paciente com a febre que ele estava pôde ser liberado. Qualquer um via que não era normal aquilo.''
Segundo familiares de Silva, ele começou a ter febre dois dias antes e a se queixar de dor de ouvido, mas não procurou atendimento médico. Assim que foi feito o diagnóstico da doença, o paciente foi internado em sala de emergência com isolamento no HZS. Como precisava ser internado em UTI mas não havia vagas em Londrina, ficou decidido que Silva seria encaminhado para a Santa Casa de Jacarezinho, na manhã de ontem. No final da tarde, a reportagem da Folha foi informada pelo hospital que a transferência havia sido cancelada, por falta de ambulância para transportar o paciente.
O coordenador da Central de Leitos da 17 Regional de Sa© úde (RS), Édio Gomes Carvalho, explicou que após a decisão de transferir o paciente para Jacarezinho, foi feito um contato com a Central Estadual de Regulação, em Curitiba, para liberação de transporte. O órgão considerou a medida inviável e, assim, Silva teve de esperar por um leito em Londrina. ''Por sorte, conseguimos uma vaga no HU à tarde, mas ainda tivemos que pedir em Curitiba uma nova liberação de ambulância, dessa vez para levar o paciente do HSZ para o HU'', explicou.
A Folha ligou para a chefe da 17 RS, Wânia Gutierrez, que se encontrava em Curitiba ontem, mas ela disse que não poderia dar entrevista porque estava em reunião. A assessoria de imprensa do HU contou que Silva foi internado em um leito normal de UTI, sem isolamento. Seu estado de saúde não foi informado até a noite de ontem.
O diretor do HZN, Antônio José Santiago, declarou que só poderia prestar informações sobre a liberação do paciente hoje, após conversar com o médico que o atendeu. ''Temos todo o interesse em esclarecer esse caso'', afirmou.


