Nos últimos oito meses, quatro acidentes ambientais de grande proporção aconteceram no Paraná – em Araucária (julho/00), Morretes (fevereiro/01), Foz do Iguaçu e Cascavel (os dois últimos neste mês). Autoridades no assunto e ambientalistas não conseguem afirmar, ao certo, por que os acidentes se tornaram tão frequentes, mas são unânimes em atribuir a culpa de tantos desastres ambientais, principalmente, à falta de manutenção das empresas que exercem atividades de risco.
O representante do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná, Luiz Nunes de Mello, explica que esses acidentes acontecem geralmente por dois motivos: falha humana ou falta de manutenção. Segundo ele, a falha humana acontece porque devido aos movimentos repetitivos realizados, os trabalhadores acabam se tornando autoconfiantes demais, provocando acidentes. ‘‘Para esta situação, as empresas deveriam fazer um rodízio dos funcionários, não deixando que acabem trabalhando no piloto automático.’’
O secretário do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, declarou que hoje existem muito mais empresas com atividades de risco do que há anos atrás, o que torna esta problemática mais constante. ‘‘Mas dizer que esses acidentes, tão próximos uns dos outros são simplesmente uma fatalidade também seria hipocrisia. É preciso que as empresas façam um monitoramento constante para que cheguem pelo menos próximas do risco zero.’’
Para o presidente da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, estas situações ocorrem não só pela falta de manutenção das empresas, mas também pela falta de prioridade pela qual o tema meio ambiente vem passando, ‘‘desde o controle de sistemas de indústrias que têm potencial poluidor até a própria conservação de florestas nativas’’. Para ele, a culpa é do governo e da sociedade, que são negligentes demais com a natureza.

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