Luciana Pombo
De Curitiba
Casas com infiltrações, goteiras permanentes, bolor, tijolos quebrados e rachaduras nas paredes. A Vila Tecnológica de Curitiba completa cinco anos apresentando uma série de problemas nos sistemas construtivos que ainda estão em teste. Construídas em maio de 1994, as casas foram feitas com 20 tipos de tecnologias de construção, que vão da utilização de placas de isopor e madeira revestida com argamassa, até painéis de concreto. São 120 casas - 20 utilizadas para o trabalho da prefeitura e as outras 100 são habitadas.
As casas foram construídas através de um programa do governo federal que dava incentivo às novas tecnologias de construção popular. Foram utilizados R$ 1,8 milhão da Caixa Econômica Federal repassados mensalmente em parcelas através da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab). ‘‘Acho que, apesar dos pequenos erros cometidos pelas construtoras, a Vila Tecnológica alcançou o seu objetivo porque possibilitou a realização de ensaios que poderão ser levados para todo o País’’, diz Sérgio Abu-Jamra Misael, diretor-presidente da Cohab.
Semanalmente, a Vila Tecnológica é visitada por várias delegações do Brasil e do Exterior. A experiência de Curitiba, onde a construção das casas foi pioneira no País, foi seguida por outras cidades. Atualmente, existem vilas tecnológicas em Manaus, Cuiabá, Goiânia, Brasília, Ponta Grossa, Porto Alege, Bauru, Salvador e Ribeirão Preto. ‘‘Se tivermos financiamento continuaremos aplicando nestas novas tecnologias’’, disse.
Na Vila Tecnológica de Curitiba algumas casas têm um bom visual, com espaço adequado. Uma das casas foi construída pela CHJ Incorporadora de São Paulo e feita com painéis estruturais pré-fabricados em concreto armado. Como a experiência deu certo, a tecnologia já foi usada em outras construções em Curitiba, como na Casa do Vovô, que fica no Alto Boqueirão. ‘‘O visual é lindo e a casa não apresenta qualquer problema estrutural’’, garantiu.
Apesar de elogiar a experiência, Misael reconhece que algumas casas não tiveram êxito. ‘‘Sabemos que não podemos dar nota dez para todas as construções’’, admite ele. Para as casas com problemas de estrutura, Sérgio Misael recomenda que os moradores procurem a Cohab antes de realizar qualquer alteração. ‘‘Às vezes, uma mudança na estrutura poderá provocar problemas muito mais sérios no futuro’’, informou.

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