O fato é que a Justiça erra. Entre inúmeros casos, o de Roberto Barbosa - que ficou preso por cerca de oito anos - está entre os mais curiosos registrados no Paraná. Ele foi confundido com o verdadeiro autor de um homicídio, apesar de não serem homônimos. Quando a Justiça reconheceu o erro, anulando a sentença do júri popular que condenou Barbosa a 64 anos de reclusão, ele já havia fugido da Colônia Penal Agrícola, em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, onde, na época, cumpria pena em regime semi-aberto. Se reaparecesse hoje, Barbosa seria submetido a novo julgamento pelo mesmo crime.
Segundo o advogado João Faria Júnior, que atuou na defesa de Barbosa, seu cliente ficou preso por causa de um crime cometido em fevereiro de 1987, perto de Uraí (26 quilômetros a Oeste de Cornélio Procópio). Um motorista de Londrina que seguia para outra cidade da região, acompanhado da mulher e do filho de nove anos, atropelou a cigana Ernestina Pereira, que morreu no local.
‘‘O filho de Ernestina, Airton Menezes, que estava num acampamento próximo, pegou uma arma e atirou nos três ocupantes do carro’’, conta Farias Júnior. Morreram a mulher e o filho do motorista, que ficou gravemente ferido.
O equívoco foi originado pela declaração de uma testemunha do crime que relatou que os tiros teriam sido disparados por um cigano chamado Airton e conhecido como Roberto. Meses depois, de acordo com Farias Júnior, a polícia obteve informações de que um Roberto, de origem cigana, estava em Curitiba. ‘‘Roberto Barbosa, que sequer tinha ligação com o grupo de ciganos do verdadeiro autor do crime, foi preso e espancado. Respondeu processo e foi condenado a 64 anos de reclusão’’, diz.
Segundo Farias Júnior, os advogados de Barbosa procuravam pistas do verdadeiro criminoso em vários Estados e tinham pistas de que os tiros tinham sido disparados por Airton Menezes, que foi preso anos depois em Goiás, por envolvimento em outro crime.
‘‘Menezes confessou em depoimento, descrevendo o episódio com detalhes, ter cometido o crime pelo qual Barbosa estava preso’’, conta. Os advogados pediram a revisão da sentença e, apesar das provas, o requerimento foi recusado pelo Tribunal de Justica. A sentença foi anulada quando a revisão foi solicitada pela segunda vez. Quando a anulação saiu, Barbosa já estava foragido.

mockup