Erro de diagnóstico pode ter causado morte
Giovani Ferreira
De Curitiba
O médico José Jorge Feitosa dos Santos está sendo acusado de homicídio culposo pela família da dona de casa Célia Barbosa, 27 anos, que morreu uma hora depois de ter sido atendida no Pronto Socorro Municipal de Ponta Grossa (PSM). Célia teria chegado no PSM reclamando de dores nos braços, costas e peito, dizendo que estava sendo vítima de um enfarte. Feitosa dos Santos, médico de plantão naquele dia, teria medicado Célia com Artrosil - remédio para dores reumáticas - e liberado a dona de casa logo em seguida.
De acordo com a advogada da família, Graziela Gomes, Célia chegou ao PSM, que funciona também como hospital, por volta das 12 horas do dia 20 de junho, um domingo. Uma hora depois, já em sua casa, ela passou mal e voltou para o PSM, onde já chegou sem vida. Logo em seguida, conta a advogada, funcionários do Serviço Funerário Municipal estiveram no hospital e levaram o corpo de Célia para ser velado na Capela Municipal, de onde saiu para ser sepultado na manhã de segunda-feira, dia 21 de junho.
O que chamou a atenção de Alício Barbosa, 30 anos, marido de Célia, foi que a declaração de óbito de sua esposa, que saiu somente na terça-feira, dia 22 de junho, apontava que ela teria morrido de um enfarte agudo do miocárdio, causado pela obesidade da vítima. A advogada explicou que a causa relatada pelo médico causou surpresa, uma vez que Célia tinha 1,60 metro de altura e apenas 60 quilos.
Diante dessa constatação, Alício procurou o médico, que simplesmeste emitiu uma segunda declaração de óbito, atestando que a dona de casa morreu de hipertensão arterial. Segundo a advogada, a família ficou ainda mais indignada, já que além de o médico estar se contradizendo com duas versões, Célia nunca teve problemas de hipertensão.
A advogada entrou com uma ação na 2º Vara Criminal de Ponta Grossa, acusando o médico de homicídio culposo por negligência médica. Graziela está solicitando a abertura de um inquérito criminal para apurar os fatos. A reportagem da Folha conversou com o médico Feitosa, mas ele disse que só vai falar depois de um posicionamento oficial por parte do Pronto Socorro Municipal.
O diretor clínico do PSM, Carlos Eduardo Marques, não foi encontrado e nem respondeu aos telefonemas da Folha. Segundo a advogada, a família vai esperar o desdobramento da ação criminal, para então avaliar a possibilidade de entrar com um processo de indenização contra o médico ou o município de Ponta Grossa.
Célia deixou quatro filhos, sendo o mais velho de 12 anos e a mais nova de apenas nove meses.





