Dorico da SilvaEstudoO professor Sérgio Adolfo, que fez a pesquisa sobre candomblé, em colaboração com outras duas docentes: Londrina tem cerca de 1.600 adeptos da religião, a maioria de origem européia e asiáticaÉ comum as pessoas confundirem o candomblé com a umbanda. O professor da Universidade Estadual de Londrina, Sérgio Paulo Adolfo, explica que enquanto o candomblé centra a sua teogonia no culto aos orixás (forças da natureza), a umbanda centra-se em almas ou espíritos dos que já morreram. Ao todo, são 16 orixás, sendo que os mais conhecidos são iemanjá, xangô e ogum, entre outros.
Ya Mukumby é mãe de santo há 30 anos, uma das mais antigas da Cidade. Ela explica que para se tornar pai ou mãe de santo são necessários, no mínimo, sete anos de aprendizado. Ela explica que o iniciado toma um bori (obrigação), depois de um ano participa da raspa (um ritual onde se raspa a cabeça). Em seguida, até o sétimo ano, ele vai tendo outras obrigações. ‘‘Até o sétimo ano, ele deverá ter obediência ao pai de santo dele’’, explica.
Ya Mukumby lamenta que muitas pessoas não sigam esse aprendizado corretamente. ‘‘As pessoas entram hoje, passam por obrigações durante um ou dois anos e já querem abrir uma casa de santo’’, observa. Segundo ela, este é um dos motivos do número de casas de candomblé ser elevado. Ela lembra que quando se iniciou na religião, existiam no máximo cinco casas de candomblé em Londrina.
Durante as três décadas que está ligada à religião, Ya Mukumby diz que houve um certo avanço porque agora existe a liberdade de religião. Mas observa que o preconceito ainda é muito grande, principalmente porque o candomblé é ligado à magia negra e à macumba. ‘‘Existe aquela falsa visão de que nós estamos contra a palavra de Deus.’’
A mãe de santo confirma que a grande maioria dos adeptos é branca, apesar da religião ser de origem africana. Ela acredita que, inconscientemente, os negros até evitam entrar para o candomblé para não serem mais discriminados do que já são. ‘‘Os negros se perguntam por que têm de ir lá para sofrer mais ainda o preconceito.’’
Presidente da Associação Axé de Pai de Santo em Londrina, Oju Omin é mãe de santo há 12 anos. Ela confirma que a religião atrai grande número de jovens, mas revela não saber o motivo. Segundo ela, a sua casa tem 30 adeptos, todos jovens. Ojum Omin acredita que antigamente o candomblé estava melhor porque era mais ‘‘puro’’. Hoje, segundo ela, há muita mistura de nações (ramos ou famílias do candomblé).
(Lucília Okamura)

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