Carlos AlmeidaDesmazeloSem proteção, barranco arenoso do ribeirão desmoronaO município de Ibaiti (80 km ao sul de Jacarezinho) poderá ficar sem fonte de abastecimento de água em menos de 10 anos. A informação é do coordenador local da Sanepar, José Carlos Luciano. Segundo ele, a causa é o desmatamento das margens do ribeirão Grande, manancial que abastece a cidade. Anteontem, a ocorrência de enchente no ribeirão deixou a cidade 16 horas sem água. Preocupada, a Câmara de Vereadores está denunciando o caso ao Ministério Público.
Em uma extensão de 8 quilômetros do ribeirão Grande, são poucos os locais de matas preservadas na beira do rio. Segundo Luciano, como o solo em Ibaiti é arenoso, todo o leito do rio está sendo removido. ‘‘E no caso de enchente, como aconteceu anteontem, a barragem fica totalmente tomada de areia’’, explicou.
O coordenador informou que com as chuvas dos últimos dias o volume de água aumentou cerca de 10 vezes. ‘‘O capim não dá conta de controlar a velocidade da água, que leva o barranco e tudo’’. Por outro lado, na estiagem a vazão do ribeirão é mínima. ‘‘Justamente porque as margens estão sem proteção, sem sombra, a terra absorve toda a água’’, disse. Segundo ele, a mata que existe ao redor da rede de captação também corre o risco de ser removida pela força da água.
A rede de abastecimento de Ibaiti tem 4,7 mil ligações e uma produção de 170 mil litros de água/hora. A máquina de captação trabalha 16 horas/dia e tem uma reserva de 1,1 milhão de litros. O consumo mensal, segundo Luciano, é de 70 milhões de litros. Conforme o coordenador, o ribeirão Grande é o único manancial que pode abastecer a cidade. ‘‘Se a comunidade local não se interessar pela preservação, a situação será caótica em breve’’.
O vereador Gilmar Cândido (PFL) está organizando um levantamento da área desmatada para um projeto de revitalização. ‘‘Nós já entramos em contato com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que se propôs a doar as mudas, e se precisar vamos organizar um mutirão’’. Segundo ele, o problema é motivo inclusive para uma ação civil pública, caso o trabalho de conscientização dos proprietários de áreas às margens do ribeirão não apresente o resultado esperado.
‘‘Sabemos que a situação é delicada, mas quando compramos esta terra a beira do ribeirão já estava desmatada’’, defendeu-se o agricultor Antônio Lopes da Silva. ‘‘O que adianta a gente cuidar de um pedaço, se o restante ninguém olha. Daqui uns dias, a água vai levar a minha mata também’’, reclamou o agricultor Sinésio Inácio Ferreira. Ele informou que mantém em sua propriedade a área de mata ciliar (50 metros em cada margem) determinada por lei.

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