Erosão prejudica abastecimento de água
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Luciane Tonon 
Carlos AlmeidaDesmazeloSem proteção, barranco arenoso do ribeirão desmoronaO município de Ibaiti (80 km ao sul de Jacarezinho) poderá ficar sem fonte de abastecimento de água em menos de 10 anos. A informação é do coordenador local da Sanepar, José Carlos Luciano. Segundo ele, a causa é o desmatamento das margens do ribeirão Grande, manancial que abastece a cidade. Anteontem, a ocorrência de enchente no ribeirão deixou a cidade 16 horas sem água. Preocupada, a Câmara de Vereadores está denunciando o caso ao Ministério Público.
Em uma extensão de 8 quilômetros do ribeirão Grande, são poucos os locais de matas preservadas na beira do rio. Segundo Luciano, como o solo em Ibaiti é arenoso, todo o leito do rio está sendo removido. E no caso de enchente, como aconteceu anteontem, a barragem fica totalmente tomada de areia, explicou.
O coordenador informou que com as chuvas dos últimos dias o volume de água aumentou cerca de 10 vezes. O capim não dá conta de controlar a velocidade da água, que leva o barranco e tudo. Por outro lado, na estiagem a vazão do ribeirão é mínima. Justamente porque as margens estão sem proteção, sem sombra, a terra absorve toda a água, disse. Segundo ele, a mata que existe ao redor da rede de captação também corre o risco de ser removida pela força da água.
A rede de abastecimento de Ibaiti tem 4,7 mil ligações e uma produção de 170 mil litros de água/hora. A máquina de captação trabalha 16 horas/dia e tem uma reserva de 1,1 milhão de litros. O consumo mensal, segundo Luciano, é de 70 milhões de litros. Conforme o coordenador, o ribeirão Grande é o único manancial que pode abastecer a cidade. Se a comunidade local não se interessar pela preservação, a situação será caótica em breve.
O vereador Gilmar Cândido (PFL) está organizando um levantamento da área desmatada para um projeto de revitalização. Nós já entramos em contato com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que se propôs a doar as mudas, e se precisar vamos organizar um mutirão. Segundo ele, o problema é motivo inclusive para uma ação civil pública, caso o trabalho de conscientização dos proprietários de áreas às margens do ribeirão não apresente o resultado esperado.
Sabemos que a situação é delicada, mas quando compramos esta terra a beira do ribeirão já estava desmatada, defendeu-se o agricultor Antônio Lopes da Silva. O que adianta a gente cuidar de um pedaço, se o restante ninguém olha. Daqui uns dias, a água vai levar a minha mata também, reclamou o agricultor Sinésio Inácio Ferreira. Ele informou que mantém em sua propriedade a área de mata ciliar (50 metros em cada margem) determinada por lei.


