Erosão do Jardim Santa Rita aumenta e ameaça moradores
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quarta-feira, 08 de fevereiro de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

As chuvas recentes têm saturado o solo e contribuído para a evolução da erosão localizada nas proximidades da Rua Ébano, no Jardim Santa Rita (zona oeste de Londrina). Em um intervalo de dez dias o poço de visita da Sanepar, que ficava a dez metros da borda do buraco formado pela erosão, agora está a poucos centímetros de ser engolido pela cratera, cujo raio possui mais de 20 metros de largura e altura de aproximadamente 15 metros. O poço de visita da companhia de água e esgoto seria mais uma das estruturas destruídas pela voracidade do colapso do solo naquele fundo de vale, que fica nas proximidades do Ribeirão Quati. Tubulações de concreto e caixas de contenção da galeria pluvial que existiam no local já rolaram penhasco abaixo, e parte do ramal dessa galeria remanescente cria uma espécie de cascata em dias de chuva.
O risco do poço de visita e da tubulação de esgoto serem destruídos é iminente e a passagem para a casa do pedreiro aposentado Eurico Domingues, de 72 anos, que antes era de mais de 20 metros de largura, agora foi reduzida a menos de dois metros. Se antes ele conseguia guardar o seu Chevette com tranquilidade na garagem de casa, hoje precisa deixar o seu veículo estacionado a dezenas de metros dali. "O meu irmão vem aqui de motocicleta e ainda passa por lá, mas daqui a pouco não vai ter como fazer isso", relata. Em dias de chuva, a travessia a pé também oferece riscos, já que o solo fica escorregadio e o relevo é levemente inclinado em direção ao buraco.
Mas a convivência com o risco talvez tenha feito os moradores se habituarem com o perigo. Durante um dia de chuva em que a reportagem esteve no local eles se aproximaram várias vezes do buraco. Mesmo com o pedido de a equipe para que se afastassem dali, as pessoas permaneciam a poucos centímetros da borda da erosão, observando o volume de água cair do que restou da galeria pluvial.
Segundo a assessoria de imprensa da Sanepar, durante uma reunião realizada na Prefeitura algumas semanas, foi acordado que a companhia de água e esgoto ficaria responsável pela colocação de uma lona para proteger o barranco de novas infiltrações de água provocadas pelas chuvas. Também ficaria a cargo da Sanepar a colocação de cabos de aço para sustentar o duto da rede de esgoto que já está exposto com os desmoronamentos mais recentes. Seriam medidas paliativas com o objetivo de frear um pouco essa evolução.
Essas providências chegaram a ser tomadas pela Sanepar, mas a lona já não está mais no local e parte dos cabos que davam sustentação ao duto de esgoto se rompeu. A empresa, via assessoria de imprensa, explica que o duto tem sido monitorado por técnicos duas vezes ao dia e que há um projeto de remanejamento do poço de visita e da rede de esgoto para a Rua Ébano, que fica a poucos metros dali. Segundo a companhia, as obras para esse novo trajeto devem ser iniciadas em dez dias. Trata-se de uma intervenção prioritária, pois caso ocorra a ruptura da tubulação de esgoto há risco de os dejetos atingirem o Ribeirão Quati, o que provocaria a contaminação do corpo dágua.


