Tubulações de concreto que existiam no local já rolaram penhasco abaixo  e, em dias de chuva, se forma até uma cascata
Tubulações de concreto que existiam no local já rolaram penhasco abaixo e, em dias de chuva, se forma até uma cascata | Foto: Ricardo Chicarelli



As chuvas recentes têm saturado o solo e contribuído para a evolução da erosão localizada nas proximidades da Rua Ébano, no Jardim Santa Rita (zona oeste de Londrina). Em um intervalo de dez dias o poço de visita da Sanepar, que ficava a dez metros da borda do buraco formado pela erosão, agora está a poucos centímetros de ser engolido pela cratera, cujo raio possui mais de 20 metros de largura e altura de aproximadamente 15 metros. O poço de visita da companhia de água e esgoto seria mais uma das estruturas destruídas pela voracidade do colapso do solo naquele fundo de vale, que fica nas proximidades do Ribeirão Quati. Tubulações de concreto e caixas de contenção da galeria pluvial que existiam no local já rolaram penhasco abaixo, e parte do ramal dessa galeria remanescente cria uma espécie de cascata em dias de chuva.
O risco do poço de visita e da tubulação de esgoto serem destruídos é iminente e a passagem para a casa do pedreiro aposentado Eurico Domingues, de 72 anos, que antes era de mais de 20 metros de largura, agora foi reduzida a menos de dois metros. Se antes ele conseguia guardar o seu Chevette com tranquilidade na garagem de casa, hoje precisa deixar o seu veículo estacionado a dezenas de metros dali. "O meu irmão vem aqui de motocicleta e ainda passa por lá, mas daqui a pouco não vai ter como fazer isso", relata. Em dias de chuva, a travessia a pé também oferece riscos, já que o solo fica escorregadio e o relevo é levemente inclinado em direção ao buraco.
Mas a convivência com o risco talvez tenha feito os moradores se habituarem com o perigo. Durante um dia de chuva em que a reportagem esteve no local eles se aproximaram várias vezes do buraco. Mesmo com o pedido de a equipe para que se afastassem dali, as pessoas permaneciam a poucos centímetros da borda da erosão, observando o volume de água cair do que restou da galeria pluvial.
Segundo a assessoria de imprensa da Sanepar, durante uma reunião realizada na Prefeitura algumas semanas, foi acordado que a companhia de água e esgoto ficaria responsável pela colocação de uma lona para proteger o barranco de novas infiltrações de água provocadas pelas chuvas. Também ficaria a cargo da Sanepar a colocação de cabos de aço para sustentar o duto da rede de esgoto que já está exposto com os desmoronamentos mais recentes. Seriam medidas paliativas com o objetivo de frear um pouco essa evolução.
Essas providências chegaram a ser tomadas pela Sanepar, mas a lona já não está mais no local e parte dos cabos que davam sustentação ao duto de esgoto se rompeu. A empresa, via assessoria de imprensa, explica que o duto tem sido monitorado por técnicos duas vezes ao dia e que há um projeto de remanejamento do poço de visita e da rede de esgoto para a Rua Ébano, que fica a poucos metros dali. Segundo a companhia, as obras para esse novo trajeto devem ser iniciadas em dez dias. Trata-se de uma intervenção prioritária, pois caso ocorra a ruptura da tubulação de esgoto há risco de os dejetos atingirem o Ribeirão Quati, o que provocaria a contaminação do corpo d’água.

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