ANEL VIÁRIO
Erosão destrói obra parada
Terra escorre para rios que abastecem Campo Mourão
Sid SauerJOGO DE EMPURRABuracos chegam a quatro metros de profundidade; governo diz que concessionária é responsável Sid Sauer
De Campo Mourão
A paralisação das obras do anel viário de Campo Mourão, há mais de um ano, já vem provocando problemas ambientais ao longo dos seis quilômetros do chamado contorno sul que ainda não foram asfaltados. Em pelo menos três pontos do trecho, nas proximidades da BR-369 (saída para Cascavel), as margens da pista, já terraplenada, estão dominadas pela erosão. Os pontos mais críticos chegam a ter quatro metros de profundidade por três de largura.
A terra é levada para o Rio Papagaio e chega ao Rio do Campo, que é responsável por cerca de 90% da água consumida em Campo Mourão. Do Rio do Campo, a terra da erosão também pode chegar ao Parque do Lago, contribuindo com o sério problema de assoreamento que o lago enfrenta há vários anos. Antes da terraplenagem para o anel viário, o local hoje atingido pela erosão possuía apenas um carreador e não tinha problemas com as chuvas.
O secretário municipal de Infra-Estrutura e Meio Ambiente, Ademir Moro Ribas, disse ontem que a melhor solução para problema é a conclusão do anel viário. Enquanto as obras não são retomadas, ele disse que vai verificar o problema e ver o que pode ser feito. ‘‘Teremos que conter a velocidade das águas’’, disse. ‘‘A princípio, isso pode ser feito com a construção de caixas de contenção para segurar a água.’’
Ribas ficou de conferir as voçorocas ontem à tarde. Ele também atribui o problema ao excesso de chuva nos últimos dias. Segundo ele, a conservação de estradas rurais é responsabilidade da prefeitura, mas o trecho não pode ser considerado como estrada ‘‘e sim uma obra paralisada’’. Mesmo assim, a prefeitura deverá trabalhar no local. A fiscalização das obras do anel cabe ao DNER e à prefeitura, mas os trabalhos estão paralisados por falta de recursos.
As obras do anel viário de Campo Mourão foram paralisadas depois que o governo privatizou as duas principais rodovias interligadas pelo contorno, a BR-158 (saída para Maringá) e a BR-369 (saída para Cascavel). Até então, o Ministério dos Transportes já tinha investido R$ 11 milhões nas obras e concluído o asfalto em 15 dos 21 quilômetros do anel, incluindo a construção de uma ponte sobre o Rio do Campo e dois viadutos.
O governo parou de liberar recursos alegando que a obra passou a ser responsabilidade da Viapar, concessionária do lote 2 do Anel de Integração. A Viapar, por sua vez, não reiniciou os trabalhos sob a alegação de que, para isso, dependeria de reajuste nas tarifas do pedágio. Segundo a prefeitura, a conclusão das obras depende de R$ 3 milhões. O projeto original do anel viário tem mais de 20 anos.