Erosão cresceu com a ocupação desgovernada
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terça-feira, 03 de abril de 2001
Vânia Moreira 
As obras de infra-estrutura implantada nos bairros da periferia de Umuarama minimizaram os efeitos da erosão, mas não eliminarão jamais o problema. As chuvas fortes da semana passada já foram suficientes para destruir ruas recém-asfaltadas nos bairros Ouro Branco e Guarani 2 e causar muitos prejuízos. Por mais que se faça, a cidade sempre vai pagar o preço da falta de planejamento e de responsabilidade nos projetos de expansão urbana. Jamais saberá quantos milhões já enterrou ou ainda vai enterrar para preservar ruas e construções.
A erosão é um fenômeno natural do solo frágil de arenito predominante na região Noroeste do Estado. Todas as cidades enfrentam problemas graves com a erosão, mas nenhuma vive o drama como Umuarama. A cidade se expandiu muito nos últimos 20 anos e surgiram 25 novos bairros na periferia, quase todos localizados em terrenos de alto risco. A prefeitura doou para construção de conjuntos habitacionais terrenos em áreas altamente propensas à erosão porque eram mais baratos. Para piorar, os conjuntos foram construídos sem as obras básicas de infra-estrutura galerias de águas e asfalto.
Durante anos, os moradores sofreram com os buracos nas ruas e alguns chegaram a perder suas casas, engolidas por enormes voçorocas. O atual prefeito Fernando Scanavaca dedicou seu primeiro mandato à pavimentação de todos os bairros. Mas o fantasma da erosão permanece.
Por conta da falta de prevenção e planejamento, Umuarama também comprometeu seu abastecimento de água. Apesar de tantas áreas disponíveis, o terreno escolhido para construir o maior conjunto habitacional da cidade nos anos 80 foi justamente na cabeceira da bacia do Rio Piava. O único rio em condições de abastecer a cidade está poluído e assoreado. A areia compromete a captação quando chove muito. Algo impensável até 15 anos atrás, a Sanepar agora pesquisa a perfuração de poços artesianos na areia para garantir o abastecimento futuro da cidade.
Muitos desses problemas poderiam ter sido evitados se antigos governantes tivessem planejado melhor a ocupação da cidade. A Universidade Estadual de Maringá (UEM) mapeou o solo urbano de Umuarama e indicou as áreas condenadas para ocupação. Ocorre que o estudo só foi solicitado depois que a maioria dos bairros já estava implantada. O estudo da UEM pode ajudar a evitar novos erros. A cidade também já tem experiências negativas de sobra para aprender a não subestimar o poder destrutivo da erosão.


