Luis CarlosDeslizamentoAssoreamento em margem do Paranapanema teria sido provocado pela ação de dragas de porto de areia, em Cambará; dono de cerâmica diz que já perdeu uma faixa de 15 metros de sua propriedade, nas margens do rioA extração de areia no Rio Paranapanema tem destruído as margens de propriedades rurais em Cambará (22 quilômetros a noroeste de Jacarezinho), na divisa com Ourinhos (SP). A denúncia partiu do proprietário da Cerâmica União, Ciro Barbosa Filho. Ele diz ter perdido 15 metros na margem do rio em sua propriedade de 5 alqueires, onde funciona a cerâmica. A degradação vem acontecendo desde o ano passado.
Segundo Barbosa, as dragas do Porto de Areia Mujimori, vizinho da propriedade, têm extraído areia dos barrancos, o que é proibido por lei. A legislação pede que seja respeitado um limite de 20% da largura total do rio, que no caso é de 15 metros. ‘‘Existe uma degradação clara e o responsável deve ser punido. Se alguém mata uma capivara, vai para cadeia e assim deve acontecer o mesmo para quem faz um absurdo deste’’, afirmou Barbosa.
Ele disse que três árvores nativas que sombreavam a beira do rio já desapareceram em função de quedas do barranco. Segundo ele, o processo de extração de areia pelas dragas é feito com um aspirador, que vai até o fundo do rio. ‘‘Caso a areia seja retirada de perto do barranco, a tendência é o desmoronamento da parte superior das encostas. Isso não tem mais como recuperar, é um crime.’’
Por outro lado, o proprietário do porto de areia Mujimori, Tamotsu Mujimori, se defende dizendo que o desaparecimento dos barrancos tem ocorrido em função das enchentes. ‘‘O volume de água aumenta, gerando redemoinhos que consomem as beiradas.’’
Segundo Mujimori, perto do local existe uma pedreira, que trabalha diariamente com explosivos. A trepidação da terra é sentida nos arredores. A pedreira fica a 300 metros da Ponte Melo Peixoto.
‘‘É lógico que os barrancos, estando com a base sem solidez, tendem a cair. E pode saber que o desaparecimento das margens vai continuar devido às chuvas recentes’’, previu. Mujimori afirmou ainda que conhece as leis ambientais e que não desrespeitaria as regras deixando as dragas sugarem areia da beira dos barrancos.
O Porto de Areia Mujimori extrai uma média de 100 metros de areia por dia, ocupando duas dragas e oito funcionários. ‘‘Eu sei que a extração prejudica. Mas a própria natureza tem-se encarregado das mudanças do leito do rio. As enchentes trazem areia fina para as margens que o próprio vento se encarrega de espalhar’’.
O chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná, Tarcísio Mossatto, disse ontem que o órgão tem fiscalizado o local, mas que até o momento não existem provas de que a degradação aconteça em virtude da extração de areia. ‘‘A denúncia deveria ser formalizada no IAP para que as providências sejam tomadas’’, afirmou.
InterdiçãoMossatto informou ainda que a degradação dos barrancos pode gerar multa e interdição da empresa exploradora. Todo o leito dos rios Cinzas, Itararé e o próprio Paranapanema estão deformados pelas enchentes.
‘‘Dá a impressão que cortaram o barranco; e foi a própria natureza que se encarregou disso. É claro que não se descarta a possibilidade que a extração de areia e de argila, no caso de cerâmicas, possa ter contribuído para o assoreamento do rio.’’

mockup