Imagem ilustrativa da imagem Erosão ameaça nascente em Arapongas
| Foto: Fotos: Celso Pacheco
"Há três anos a situação aqui no parque já estava feia, mas agora tornou-se mais complexa", afirma a presidente do Observatório Ambiental de Arapongas, Sandra Gasparotti
Imagem ilustrativa da imagem Erosão ameaça nascente em Arapongas
O empresário Paulo Antonio Kümmel iniciou um mapeamento, por meio de drone, da área do parque e do entorno



Arapongas - Uma enorme erosão ameaça a nascente do Córrego Tabapuã, no Parque das Nações, em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina). O problema, que se arrasta por vários anos, já destruiu boa parte da mata no interior do parque. O alerta foi feito pelo Observatório Ambiental, que acionou o Ministério Público. A prefeitura disse que estuda a situação, mas projetos e obras para solucionar o problema ainda não existem.
"Há três anos a situação aqui no parque já estava feia, mas agora tornou-se mais complexa. As árvores da mata ciliar estão sendo ‘engolidas’ pela erosão", disse a presidente do Observatório Ambiental de Arapongas, a advogada Sandra Gasparotti. O termo "engolida" não é exagero. A erosão que cresce sem freios formou um buraco de cerca de dez metros de profundidade que só aumenta a cada chuva forte, levando embora toda a terra sob as árvores. Muitas delas já estão com as raízes à mostra e a queda é só questão de tempo.
"Tem que ter um cuidado especial no planejamento urbanístico para preservar as nascentes", disse Sandra Gasparotti. Ela ressalta que não é apenas a mata no interior do parque que sofre com a falta de planejamento urbano. Segundo a presidente do Observatório, toda a área do parque foi construída sobre uma nascente. Na área das arquibancadas, é possível ver a água brotando em meio ao concreto.
Do Observatório fazem parte representantes do Lions, Rotary, Foto Clube de Arapongas, Conselho de Segurança, além de profissionais de outras áreas. Um deles é o empresário Paulo Antonio Kümmel, que iniciou um mapeamento, por meio de drone, da área do parque e do entorno. "As imagens vão ser encaminhadas para o Ministério Público para cobrar providências."
"O Observatório detecta o problema e cobra ações das autoridades. Também investimos na educação ambiental, com palestras em escolas", destacou Sandra Gasparotti. O objetivo, afirmou ela, é alertar a comunidade para a dimensão de um problema que não pode ser visto como responsabilidade apenas do poder público, mas de todos os cidadãos. "Se é feito um trabalho constante de cuidados, e de todos, não só da prefeitura, isso aqui (erosão) não acontece. Como se coloca uma estrutura toda para desembocar na nascente de um rio? A questão do saneamento é fundamental", declarou a presidente do Observatório.

DESCONHECIMENTO
A sede do Grupo Escoteiro Pássaro da Paz é vizinha ao parque. A área costumava ser utilizada pelos escoteiros para trabalhos de educação ambiental, mas com o avanço da erosão, o parque deixou de ser frequentado pelo grupo. "Está ficando muito difícil de usar. Esse problema da erosão é antigo e continua aumentando", disse a escotista Patrícia Ferman.
A água pluvial que deságua na nascente do Córrego Tabapuã vem dos conjuntos Centauro 1 e Centauro 2 e do Jardim Perobas. As águas descem com força pela Rua Canário da Terra e escoam para dentro da mata. Na esquina com a Rua Suindará, um buraco já se abriu bem junto à calçada e vem crescendo. Os moradores do entorno do parque confirmam que o volume de água que desce pela rua é grande nos dias de chuva intensa, mas embora o problema esteja a poucos metros de suas casas, eles demonstram desconhecimento em relação a ele.
"Moro aqui há 30 anos, mas não sei dessa erosão. Nunca vi. O pessoal (da prefeitura) sempre vem olhar, mas a gente que mora aqui não olha", afirmou a dona de casa Ivone Costa. O portão de entrada da casa de Ivone fica quase em frente ao buraco que já levou embora uma parte do asfalto.
O vizinho de Ivone, o autônomo Rogério Nakayama, mudou-se para o bairro há sete anos. Não mais do que 30 metros separam o muro lateral da casa dele do início da erosão, mas ele disse desconhecer o problema. "Os bueiros estão constantemente entupidos e não dão vazão à água da chuva, que vai toda para baixo, mas nem sabia que tinha erosão aí dentro do parque porque a gente nunca vai lá. É meio perigoso", disse, deixando evidente também o problema da falta de segurança.

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