Luciana Pombo
De Curitiba
A reunião que escolheria os nomes dos cinco representantes do Conselho da Liga Paranaense de Combate ao Câncer, ontem, no auditório do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, foi suspensa por tempo indeterminado. Através de um acordo entre o conselho diretor e os advogados do grupo de oposicão, a suspensão dos 45 médicos oposicionistas também será rediscutida, com um prazo para a defesa dos médicos se manifestar.
O grupo de oposicão da Liga foi impedido de entrar para a reunião e a chapa apresentada por eles, com os nomes dos médicos Benedito Valdecir de Oliveira, Marcos Flávio Montenegro e Sérgio Hatsbach, foi descartada. ‘‘Não concordamos com qualquer atitude arbitrária. Temos uma chapa e não podemos ser eliminados sem explicação’’, declarou o médico José Carlos Gasparin, da área de radioterapia do hospital.
Depois de muita pressão, os médicos oposicionistas puderam acompanhar a assembléia do conselho e pediram a impugnação da eleição ao comitê eleitoral. ‘‘Não podemos admitir uma eleição à revelia. Queremos fazer uma eleição séria, com a participação de todos e sem arbitrariedades’’, afirmou Alfredo Wallbach, chefe do Serviço de Radiologia. As divergências entre os médicos oposicionistas e o superintendente da Liga, Luiz Pedro Pizzatto, que está no cargo há 20 anos, iniciaram em 98. Pizzatto teria tentado mexer no estatuto do conselho. ‘‘Ele queria a reeleição automática e pensava em indicar cinco dos nove membros do conselho. Com isto, o conselho perderia sua função que é a de fiscalizar os atos administrativos. Ele não está nos respeitando’’, criticou Wallbach.
Um manifesto contra o superintendente foi assinado por 45 médicos e questiona, inclusive, a aplicação de recursos arrecadados pela Liga Paranaense de Combate ao Câncer. Teriam sido arrecadados R$ 2 milhões entre os anos de 97 e 98. Mas teriam sido gastos para a arrecadação R$ 1,5 milhão. Pizzatto garantiu que todas as acusações são pessoais e têm interesses políticos. Ele disse que o Hospital Erasto Gaetner nunca deixou de fazer os balanços mensais que são acompanhados por uma auditoria independente. (Colaborou J.C.L.)

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