Na adaptação, a maior dificuldade relatada pelos nordestinos era o clima gelado. Ao desembarcarem em Assaí, eles tiveram o primeiro contato com o frio. ''A gente forrava o colchão com palha de milho ou banana, para cortar o vento. Era um frio insuportável que a gente nunca havia sentido'', comenta José Amaral.
Para Manoel Alves dos Santos, o Mané Sapateiro, o desagrado foi principalmente em relação à comida. ''Na minha terra, arroz era coisa rara. A gente só comia uma vez por ano e em data festiva. Quando cheguei aqui, era o contrário. Todo mundo só comia arroz e feijão. Para mim, era muito estranho'', recorda.
Já no relato do casal Maria e Zequias da Silva, o problema era a saudade dos familiares. ''Naquele tempo, a gente só podia ter notícias através de cartas. A ansiedade era imensa à espera do dia em que o carteiro levava as correspondências na vendinha. Era uma expectativa para todo mundo'', conta.
Livros
As professoras Ediná de Souza Gaspar e Cátia Rocha Gonçalves, que representam o Colégio Estadual Barão do Rio Branco no projeto ''Contação de História do Norte do Paraná'' da UEL, elaboraram junto aos alunos uma coleta de dados deste migrantes, que culminou em dois livros: ''Catadores de Algodão...Tantas Vidas...Tantas Histórias'' e ''Trabalhadores do Ouro Branco no Norte do Paraná''.
''Os nordestinos nunca tiveram suas memórias registradas. Ele foram pioneiros desta terra assim como os japoneses e devem ser reconhecidos com tal'', afirma Ediná.
Segundo a professora Cátia, o trabalho na lavoura era desgastante desde o nascer do sol até ele se pôr. ''Eles vieram em busca de um sonho, fugindo da seca e encontraram muito trabalho, mas também muito sofrimento. São verdadeiros batalhadores'', conta.
Não há registro do número de nordestinos em Assaí, mas dados publicados no livro ''Assaí no caminho da cultura democrática'', de Aparecida Maria Silva de Lima, revelam que grande parte dos migrantes está hoje aposentada, com idade superior a 50 anos e representada principalmente por mulheres. (M.O.)

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