Era lixo, mas virou dinheiro
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terça-feira, 09 de dezembro de 2008
Adriana Ito<br>Equipe da Folha 
Andirá - A cidade de Andirá, no Norte paranaense, está vivendo um fenômeno curioso: faltam garrafas PET vazias. Elas não estão nas ruas, nos lixos, e mesmo no lixão elas já não chegam mais. "Se eu vejo uma jogada no chão, corro lá e cato", confessa uma moradora. "Tem que pegar na hora, porque se deixar para depois, ela não vai mais estar lá", complementa outra. Até mesmo a prefeitura precisou negociar para conseguir fazer a decoração de Natal deste ano com as garrafas.
A atitude ecologicamente correta da população é resultado de uma iniciativa simples da empresa Cotonífico de Andirá S.A. A Cotan resolveu trocar cada 23 embalagens PET (cerca de um quilo) recolhidas por seus funcionários por um cupom no valor de R$ 1, bem acima do preço pago a quem trabalha com coleta seletiva. Não apenas as garrafas de refrigerante, mas também as de óleo, detergente, amaciante e outros produtos também são aceitas.
A iniciativa foi uma forma de incentivar os funcionários a participar do projeto de responsabilidade ambiental da empresa. "Quando começamos apenas pedindo para que eles trouxessem, quase ninguém aderiu. A partir do momento em que oferecemos essa recompensa, a adesão foi surpreendente", observa Sirlei da Silva Dantas, chefe de departamento pessoal da empresa e uma das idealizadoras do projeto.
Segundo cálculos de Fernando Braz da Silva, também responsável pelo projeto e marido de
Sirlei, desde o início, em agosto de 2007, os funcionários já juntaram próximo de 250 mil garrafas. "Para nós é uma glória uma cidade deste tamanho juntar tantas garrafas. Não sabemos onde elas estariam se não fosse este projeto", afirmam, confessando jamais terem imaginado que o projeto cresceria tanto.
O dinheiro pago é resultado da venda das embalagens, devidamente separadas e prensadas, para a empresa Plaspet, de Maringá. Outra empresa maringaense, a IPTC, faz o transporte dos fardos já prensados gratuitamente. "A IPTC é nossa fornecedora de cones. Ela vem, esvazia o caminhão e na volta leva de graça os fardos. Se não fosse isso, não teríamos condições de pagar esse preço aos funcionários", reconhece Sirlei, lembrando ainda que a Cotan disponibilizou um barracão e uma de suas máquinas de prensar para o projeto. Além disso, a separação (por cor e tipo, o que garante um melhor preço) e prensagem é feita durante o expediente, pelos próprios funcionários.
Fernando destaca ainda que a empresa repassa o dinheiro da venda do plástico integralmente aos funcionários. "Os funcionários vão juntando os cupons de R$ 1 para trocá-los por vales de supermercados no valor mínimo de R$ 10 e vale-gás. Também é possível depositar os cupons na urna e concorrer a sorteios de brindes", explica.
Mas, se não há nenhum ganho em espécie, a Cotan tem tido outras contrapartidas com esta iniciativa. "Isso contribuiu para motivar os funcionários e conquistou o respeito da comunidade, além de trabalhar a conscientização ambiental", analisa Sirlei.


