Rolândia - Segundo o engenheiro agrônomo Klaus Nixdorf, cuja família não tem parentesco com August Nixdorf, os pavilhões com a cruz suástica eram expostos naquela época como hoje as bandeiras de partidos são expostas em alguns eventos pelo País. "Era uma bandeira de um partido político. Meu pai (Oswald Nixdorf) foi diretor da colonização e era agente consular da Alemanha. Por esse motivo era obrigado a participar do partido, só que ele nunca praticou o nazismo. Quem praticou isso, foi o August Nixdorf, que foi o chefe do partido nazista na região. Só que ao estourar a guerra, ele foi preso e disse que não era ele o chefe do partido, mas o meu pai. Por esse motivo ele foi preso e teve as terras confiscadas", revela.
Klaus afirma que até hoje não existem provas de que seu pai era nazista. "O pai teve de entrar com um processo judicial para reaver suas terras. Demorou dez anos para que ele pudesse reavê-las", revela. Nesse intervalo, relata que a mãe dele foi desalojada sem nenhum dinheiro e teve de vir a Londrina para procurar famílias que pudessem criar os seus filhos.
Klaus aponta que se o seu pai fosse nazista praticante, não deixaria nunca entrar 80 famílias judaicas na colônia. "Foi o contrário. Recebeu todas elas de braços abertos e inclusive se hospedaram na casa dele ao chegar a Rolândia", diz. Segundo Klaus, ninguém era nazista em Rolândia. "Eu não posso lhe dizer quantos membros o partido tinha aqui, porque se faz muito mais barulho do que era na realidade. Aqui era mata virgem e era impossível fazer um trabalho grande como poderia ser feito nas grandes cidades. O August Nixdorf não teve tempo de fazer nada. Ele foi preso em Curitiba antes de realizar qualquer atividade nazista", garante.
Segundo o jornal A Notícia, de Joinville (SC), em nome da segurança nacional, suspeitos de apoiar os países do Eixo foram detidos no Estado em 1943. Entre eles estava August Nixdorf, que foi preso na cidade de Porto União. Klaus diz que não chegou a ter contato com August. "Eu tinha 9 anos, e numa dessas festas devo ter conhecido ele, mas não me lembro dele. Muitos anos atrás me ligou, da Alemanha, uma senhora, provavelmente esposa dele, que gostaria de saber onde ele foi parar. Não pudemos informar", revela.
Depois veio uma informação de que ele estava em Joinville (SC) e morreu por lá. "Estive em uma viagem do grupo germânico e pedi a um advogado para que buscasse onde ele estava enterrado para provar que ele não era irmão de meu pai." Segundo Klaus, os "documentos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) indicavam isso, mas era uma mentira inventada por August". "Ao ter as terras confiscadas, meu pai perdeu os melhores anos do café e recebeu a propriedade totalmente arrasada", lamenta.
Além de Rolândia, o professor Marco Soares revela que um filme da década de 30 do século passado mostra imagens de muros pintados com a cruz suástica em Cambé. "Nós temos um filme feito em Cambé no final dos anos 30 onde há a suástica pintada em algumas propriedades, em alguns edifícios no centro da cidade, no comércio. Mas não temos nenhuma informação sobre isso. O filme é mudo. Mas se tem a suástica, ou tem nazistas ou quem eles assombram, ou seja, gente demonstrando a ideologia nazista ou alguém sabendo que aquilo pode amedrontar os outros", observa.(V.O.)

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