EQUOTERAPIA - Uma forma esportiva de tratar da saúde
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sábado, 26 de maio de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Nos braços da mãe, a pequena Hellen Christiane Bachega, 5 anos, tem um jeitinho todo tímido e não consegue disfarçar a vergonha diante do repórter, que insiste em lhe fazer perguntas. Mas quando chega a hora de sair do colo materno e montar na égua ''Bolinha'', para dar início à sessão de equoterapia, que ela frequenta duas vezes por semana, a garota se solta e abre um delicioso sorriso.
Sobre o cavalo, nem parece que Hellen luta contra uma paralisia cerebral. Para ela, é um momento de intensa diversão. Já para a mãe, Cleusa Aparecida Bachega, é motivo de alegria ver a garota evoluindo, conseguindo realizar novos movimentos a cada dia, dando passos preciosos em seu tratamento.
''A Hellen é minha segunda filha. Seu irmão, que tem 13 anos, apresentou crescimento normal e rápido, como a maioria das crianças, tanto que nem percebi algumas etapas de sua evolução. No entanto, com a Hellen tudo é mais lento. Cada dia é uma nova conquista'', relata Cleusa, que vê sua filha apresentar significativas melhoras. ''Quando ela começou, tinha um controle de tronco precário, mal conseguia se equilibrar, hoje está muito melhor'', comemora a instrutora de equoterapia Dóris Alho Silva.
Não é novidade que crianças gostam de animais. Com sua pureza, os pequenos se entendem com os bichos. Com crianças especiais, essa relação é ainda mais intensa. Porém, para as que moram na cidade, cercadas de concreto por todos os lados, nem sempre é possível ter contato com animais de grande porte. Por isso, é surpreendente ver o carinho e a interação dos ''pacientes'' com os cavalos. O tamanho do bicho não os intimida.
O interessante, conta Dóris, é que tudo isso, que mais parece brincadeira, tem respaldo científico. A equoterapia tem sua eficiência reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. ''Cada movimento do animal e da criança sobre ele é previamente calculado e visa trabalhar algum ponto da deficiência, desde a fala até o fortalecimento muscular'', explica a instrutora.
Aliada a outras atividades, como a fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional, contribui intensamente para a melhoria de qualidade de vida não só de crianças especiais, mas de portadores de deficiências de todas as idades.
''Ao se locomover, o cavalo executa um movimento tridimensional. Ao mesmo tempo move-se para os lados, para cima, para baixo, para frente e para trás, ou seja, movimentos que nenhum outro meio mecânico faz'', ensina Dóris.
Durante a terapia, a alternância entre equilíbrio e desiquilíbrio devido aos movimentos do animal são constantes. Essas oscilações fazem com que o tônus muscular - principalmente dos membros inferiores - de quem monta seja fortalecido. ''Em trinta minutos de aula, acontecem 5,4 mil oscilações de movimentos'', completa a terapeuta.
No caso de Hellen, por exemplo, a prioridade é o movimento sobre o animal, pois ela precisa de mais força muscular e equilíbrio. Também são feitos exercícios para a fala, incetivando a menina a completar frases durante a montaria. ''Até o aprendizado escolar dessas crianças melhora, pois elas aprendem a ter mais concentração, que é muito necessária para conduzir o animal'', ressalta Dóris.
A fisioterapeuta Isabel Cristina Rezende, especialista em distúrbios neurológicos e do movimento, aprova a equoterapia e costuma encaminhar diversos de seus pacientes para complementar o tratamento sobre os cavalos. Ela ressalta que os resultados costumam ser rápidos.
''A equoterapia propicia à criança, ao paciente neurológico e àqueles que têm problemas posturais, experimentar o movimento tridimensional. O contato com o cavalo desenvolve também a parte emocional. Em apenas três meses vemos que as crianças apresentam habilidades motoras diferentes de quando entraram na equoterapia. A única contra-indicação é para pessoas que tenham distúrbios articulares, como luxação de quadrial e escoliose.'', relata a fisioterapeuta.


