Na tentativa de amenizar os transtornos criados pela greve dos 243 funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a diretoria decidiu montar um esquema emergencial para garantir os serviços essenciais. A paralisação entra hoje no 8º dia.
No setor de emissão de carteiras de passe livre, que funciona no Terminal Urbano de Transporte Coletivo, apenas três funcionários cedidos pela Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) estão trabalhando. Normalmente sete servidores trabalham no setor. Segundo o assistente administrativo Reginaldo dos Santos, 39 anos, desde sábado eles têm que se desdobrar para fazer o atendimento ao público, triagem e montagem dos prontuários dos beneficiários. ''Um serviço está interligado ao outro. Vamos fazer o que é possível'', declarou.
A greve dos servidores atrasa a avaliação dos processos, consequentemente, impedindo a emissão das carteiras dos usuários de passes livres. Cerca de 200 pessoas são atendidas diariamente no setor. A presidente da CMTU, Rosimeire Suzuki, garantiu que uma equipe dará continuidade à análise dos pedidos durante a greve.
Policiais da Companhia de Trânsito estão auxiliando nos serviços de interdição de rua, fiscalização e segurança no trânsito. Rosimeire afirmou que a fiscalização do transporte coletivo também está garantida. O telefone 3321-5233 foi colocado à disposição da população para eventuais problemas ligados à limpeza pública. De acordo com o operador de máquinas Paulo de Oliveira, 36 anos, nenhuma solicitação havia sido feita até o final da manhã de ontem.
Na reunião realizada ontem pela manhã entre a comissão de negociação, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) e o secretário municipal da Fazenda, Wilson Sella, a prefeitura determinou o desconto dos dias parados dos grevistas. ''Consideramos a medida um retrocesso nas negociações. Apelamos ao prefeito Nedson (Micheleti) para que discuta o assunto diretamente com os grevistas'', opinou a presidente do Sindserv, Marlene Valadão.
Na semana passada, o sindicato rejeitou a proposta de reajuste de 8,62% no tíquete-alimentação e maior participação do município no pagamento do benefício. Os funcionários pedem reposição salarial de 26,9% e incorporação do abono salarial aos cálculos para pagamento de 13º salário e férias. O salário dos funcionários da companhia varia entre R$ 360 e R$ 3 mil.
Marlene acrescentou que a retirada da proposta causa dúvidas sobre o possível cumprimento do acordo. ''Eles já haviam feito a proposta de não descontar os dias parados e voltaram atrás. Fica a dúvida se eles iriam cumprir o acordo se a proposta tivesse sido aceita pela categoria'', declarou.
A direção da CMTU alega que tanto a Lei Eleitoral quanto a Lei de Responsabilidade Fiscal impedem qualquer tipo de reajuste a menos de seis meses das eleições e do final do mandato. O Sindserv elaborou um documento de consulta ao Tribunal de Contas (TC) e ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sobre a legislação. Sella garantiu que só assina o documento para encaminhar aos tribunais após a volta dos grevistas ao trabalho. Segundo Marlene, o Sindserv vai avaliar a possibilidade de fazer a consulta através da Câmara de Vereadores e a greve está mantida por tempo indeterminado. (Colaborou Fernando Rocha Faro)

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