Equipe usa microcâmera em cirurgia vascular
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Marcelo AlmeidaMartins: Podemos observar a veia por dentro, reduzindo risco de acidentesO uso médico de microcâmeras de vídeo, que permite realizar cirurgias menos invasivas ao corpo do paciente, chegou à área da cirurgia vascular. Esta semana, uma equipe do Hospital Cajuru utilizou a técnica para operar um homem de 63 anos que tinha a perna esquerda ameaçada de gangrena. Ele recebeu alta dois dias depois da cirurgia e passa bem.
Segundo o chefe do Serviço de Cirurgia Vascular do hospital, Elias Abrão, foi a primeira vez no Brasil que a técnica foi aplicada na especialidade. De acordo com ele, o avanço beneficiará um grande número de pessoas.
Calcula-se que 40% das pessoas com mais de 50 anos sofrem de arteriosclerose - endurecimento das artérias, vasos que conduzem o sangue pelo corpo. Desses doentes, cerca de 40% precisam de cirurgia para corrigir o problema e restaurar a circulação, diz o médico Mário Martins, que integra a equipe do Cajuru.
No caso do paciente operado no hospital, o problema era na artéria femural, que vai da altura da virilha até o pé. Martins explica que a solução para casos assim é substituir a artéria obstruída pela veia safena.
Até há algum tempo, o procedimento era feito com um corte ao longo de toda a perna, para retirada e inversão da veia safena, que na sua função original só leva o sangue de baixo para cima do corpo. Depois, com o avanço da medicina, a safena passou a ser mantida na mesma posição e, com uma espécie de gancho, os médicos fazem as adaptações necessárias na veia.
O problema, explica Martins, é que esse procedimento era feito às cegas, com alto risco de perfuração do vaso e hemorragia. Com a nova técnica, uma microcâmera é acoplada a um catéter, introduzido na safena. Podemos observar a veia por dentro, praticamente zerando os riscos de acidentes, afirma o médico. São feitos apenas dois pequenos cortes, de 5 centímetros, um na virilha e outro acima do tornozelo.
A técnica reduz os riscos de complicação e o tempo de internamento, que antes era de pelo menos seis dias, afirma Martins. Ele explica que a técnica também pode ser aplicada a casos de traumatismos vasculares causados, por exemplo, por tiros ou fraturas, agilizando a localização da lesão. Por enquanto, a cirurgia ainda custa mais que a convencional, mas o Hospital Cajuru realiza a operação pelo Sistema Único de Saúde.


