Leonardo RevessoAtoladosPoliciais mostram peixes recolhidos; cardumes isolados em lagoas podiam morrer por falta de oxigênio VILA ALTA - Pelos menos 3 mil peixes e alevinos foram salvos todas as semanas no arquipélago de Ilha Grande, em Vila Alta, por voluntários da Polícia Militar e da própria comunidade. Foram realizadas 10 operações de salvamento. As equipes se dividiram nas lagoas formadas na estação chuvosa (início do ano) no meio das ilhas e todos os peixes resgatados foram devolvidos ao rio Paraná. De acordo com a prefeitura de Vila Alta, que coordena o trabalho, foram salvos cerca de 70 mil peixes e alevinos.
Com a cheia do rio Paraná, em janeiro, boa parte das quase 80 ilhas do arquipélago foram cobertas pela água. A situação normalizou-se no final de fevereiro. Hoje, a região vive a época de estiagem. Com exceção de precipitações esparsas, não chove há dois meses. As lagoas vão rareando aos poucos.
Durante a cheia, os cardumes se concentraram em grande número nesses locais por causa da farta qualidade de comida, vinda das árvores próximas e de restos de animais silvestres que morreram afogados. A medida que a estação seca vai se prolongando, os cardumes ficam cada vez mais expostos e isolados, principalmente nos pontos mais baixos, onde a água não escoou.
A última ação de voluntários aconteceu no final da semana passada e reuniu 15 homens da PM. A cada passada de rede, dezenas de peixes apareciam. Eles eram alojados em caixas térmicas e, minutos depois, mandados de volta ao rio. As lagoas já estão baixas demais e alguns exemplares já morrem por falta de oxigênio. Os voluntários chegam a mexer no barro para salvar os peixes.
‘‘O trabalho tem que ser feito pacientemente, pois, do contrário, os peixes sofrem com a mudança da temperatura e podem morrer’’, explica o tenente William Diemes da Silveira.
Para o prefeito de Vila Alta, Marcos de Paula Farias (PDT), a ação foi muito importante e vai beneficiar os pescadores nos próximos meses. ‘‘É um trabalho muito sério, pois se trata de peixes e alevinos que não possuem nenhuma chance de retornar ao leito normal do rio. Por isso, temos que dar uma mãozinha’’, resume o prefeito.
Mesmo assim, outros milhares de peixes não terão a mesma sorte. Assim que as lagoas secarem de vez, o que deve acontecer nos próximos dias, quem vai sair ganhando com a riqueza do cardápio serão os animais silvestres que vivem na Ilha Grande.
São gaviões, jacarés, lontras, garças, biguás (pato preto) e patos da asa branca que terão comida farta sem nenhum esforço. A cadeia alimentar, segundo os ambientalistas, estará se completando.

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