Equipe orienta, mas decisão é da usuária
Londrina - Depois da estadia na Casa Abrigo, o rumo a ser tomado depende de cada usuária. Há quem se mude de cidade ou Estado, reconstrua a vida, volte para contar como superou a situação e ainda quem opte por dar mais uma chance ao ex-companheiro. "Cada episódio é uma situação nova. Não temos com julgar as pessoas, às vezes não é nem o caso de uma dependência financeira, mas emocional. Nós ajudamos a discutir o melhor encaminhamento para elas, a avaliar os riscos, mas são as próprias mulheres quem decidem ao final", pondera a gerente da Casa Abrigo, Sueli Galhardi.
Foi assim com Ana Maria (nome fictício), vendedora que passou pela Casa Abrigo há cerca de um mês. Aos 18 anos, ela decidiu dar um basta às agressões e ameaças do ex-companheiro, após quatro anos de medo. "Sofria muito, até que um dia me cansei. Fiquei com medo, vamos convivendo e não sabemos onde isso pode chegar. Pode acontecer até um homicídio", conta. A saída encontrada foi ir à delegacia e registrar queixa. Era a segunda fez que fazia isso, mas Ana Maria prometeu para si mesma que não aceitaria mais as desculpas do marido. Na sequência, veio o encaminhamento para o endereço sigiloso, junto com o filho de 2 anos. "Não podia ir para casa da minha mãe porque tinha medo dele me achar lá e também de fazer algo contra nossa família", relata.
Na Casa Abrigo, Ana Maria relata ter descoberto um novo jeito de lidar com a violência doméstica. A jovem fez amigas, assistiu palestras sobre o que ela e outras mulheres abrigadas ali sofriam e teve contato com psicólogos e assistentes sociais. Foram 15 dias de estadia indispensáveis para que ela se sentisse segura para recomeçar a vida. "Fiquei sem trabalho quando saí de casa e agora estou entregando currículo. O período em que fiquei no abrigo foi importante para criar forças, deixar o medo para trás. Esse é um conselho para outras mulheres: não tenham medo, o medo só nos deixa no mesmo lugar. Procurem ajuda", ensina. (A.L.)





