Londrina - O coordenador da SC Transplantes, Joel de Andrade, é responsável por uma das melhores redes de captação de doadores do Brasil. Segundo ele, enquanto no restante do Brasil se registra 13 doadores por milhão de habitantes, em Santa Catarina esse número é de 27,2 doadores por milhão. Ele explicou que a situação da saúde em seu estado não é muito diferente das demais unidades federativas. "Nós também temos problemas de superlotação nos hospitais, de falta de UTIs, mas a diferença é que Santa Catarina é o único estado em que há uma equipe remunerada para fazer essa intermediação entre os pacientes e a central de doação de órgãos. "Nos últimos oito anos, em sete deles o nosso estado teve o maior número de doadores no Brasil", ressaltou.
Ele explicou que em Santa Catarina foram identificados os médicos que possuíam melhor capacidade de comunicação com os familiares e foram selecionados 480 deles para atuar em casos potenciais de doação de órgãos. "Se o médico faz a abordagem depois que o paciente morre, a probabilidade deles negarem a doação é grande porque a família pode colocar a culpa da morte no hospital ou na equipe médica, por isso a abordagem deve ser antes disso", explicou.
Segundo ele, a abordagem não pode ser feita com perguntas fechadas. "Se o médico perguntar à família se o paciente é doador de órgãos e a família disser não, o diálogo acaba ali. Em vez disso, o médico precisa perguntar se o paciente é uma pessoa solidária, se gosta de ajudar as outras pessoas, coisas desse tipo", destacou. Andrade afirmou que somente com essas mudanças o número de negativas caiu de sete entre cada dez abordagens para três a cada dez abordagens. "Esses pequenos detalhes fazem a diferença", opinou. (V.O.)

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