Equipe é homenageada pelo HU
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segunda-feira, 10 de junho de 2013
Fernanda Carreira<br>Reportagem Local 
Foi em uma manhã fria de junho, há 40 anos, que o centro cirúrgico do antigo Hospital Universitário, no centro de Londrina, tornou-se o cenário de um dos maiores feitos da Medicina do país: o primeiro transplante de rim do Paraná. Na ocasião, cerca de 25 pessoas trabalharam no procedimento, permitindo que, nos anos de 1960 e 1970, Londrina se tornasse referência na área. O beneficiado foi o operário Egídio Ramazotti, que passou pelo procedimento aos 26 anos e viveu por outros 34, até falecer por um problema cardíaco.
Foi para homenagear todos esses profissionais, entre médicos e enfermeiros, que participaram da cirurgia realizada no dia 10 de junho, que o HU e a Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Copott), da 17ª Regional de Saúde, realizaram ontem de manhã uma cerimônia no Auditório do Hemocentro.
"Aquele foi um ano mágico para o município, que motivou toda uma geração de profissionais na prática de uma Medicina de alto padrão e que merece ser lembrado", enfatizou o urologista Lauro Brandina. "Com o pouco que tínhamos, conseguimos realizar um bom trabalho, até mesmo construindo e equipando um UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em um mês e fazendo com que Londrina se tornasse uma referência no setor de transplantes para outras cidades", completou o então superintendente do Hospital, Lúcio Tedesco Marchesi.
O nefrologista Anuar Michel Matni e a mulher, Verônica Werner Matni, enfermeira à época e hoje advogada, foram alguns dos profissionais que colaboraram com todo o processo. "Mesmo sendo a primeira cirurgia desse tipo realizado na região, eu me lembro que a família estava muito calma, confiante nas equipe e isso, com certeza, ajudou também no sucesso do resultado", conta Verônica, que acompanhou o paciente durante o pré e o pós-operatório. "A vida dele mudou por completo. O tempo de resposta do funcionamento do rim foi imediato e ele estava felicíssimo. Foi emocionante na época e hoje sinto uma felicidade enorme por ter participado de todo esse processo."
O nefrologista Pedro Gordan, que também compôs a equipe clínica do primeiro transplante renal, conta que, na mesma semana, o paciente e o irmão deixaram o hospital em ótimo estado de saúde. "Era realmente inspiradora a relação médico-paciente que já víamos na época. Me lembro que quando o Egídio deixou o hospital, ele tremia de frio e, sem pensar duas vezes, o colega Altair Mocelin (já falecido) tirou o próprio paletó e colocou nele. Isso ficou marcado na minha memória", acrescenta.
Apesar da experiência, prioritariamente, no atendimento de crianças, até mesmo o cirurgião pediátrico Fernando Costa compôs a equipe médica, devido ao grande número de profissionais que o procedimento necessitava. Durante, pelo menos, dois anos, o médico, que veio de São Paulo para trabalhar na UEL há cerca de 40 anos e ainda hoje leciona na universidade, detalha que continuou atuando no auxílio de transplantes de rim na cidade. "Um grande orgulho para a sua carreira médica", como ele mesmo define.
Números
De 1973 até hoje já foram realizados 1,5 mil cirurgias de transplantes de rim em pacientes de Londrina e região. Em 2010, o Hospital Universitário deixou de realizar o procedimento por questões estruturais e hoje dois centros são responsáveis pelo serviço: a Santa Casa e o Hospital Evangélico.
De acordo com a coordenadora da Comissão de Procura de órgãos e Tecidos para Transplantes (Coppott), Ogle Beatriz Bacchi, são realizados, na macrorregião de Londrina, uma cirurgia de transplante desse tipo a cada 11 dias. E apesar do número de doações ter aumentado (no primeiro trimestre deste ano foram 67, enquanto em 2012 somaram 61), a maior quantidade de doações ainda vem de familiares vivos. Isso tem motivado a Copott a desenvolver ações que estimulem a doação de órgãos de pessoas já falecidas, poupando os familiares.
A fila de espera de pacientes na região de Londrina é de 500 pacientes e no Paraná, de 1,8 mil.


