Equipe de TV afirma que Django ameaçou sem-terra
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segunda-feira, 16 de junho de 1997
Osmani Costa 
Londrina
O cinegrafista Altair José de Souza e o motorista João Nivaldo Gardin, membros da equipe de reportagem da Central Nacional de Televisão (CNT), prestaram depoimento na tarde de ontem ao delegado do 4º Distrito da Polícia Civil, Jurandir Gonçalves André, que preside o inquérito sobre o assassinato do segurança José Lopes de Oliveira, conhecido como Django. Os dois confirmaram as denúncias de que Django e outros seguranças ameaçaram disparar armas de fogo contra as famílias de sem-terra que ocupavam a fazenda Borborema, na véspera da morte dele.
Django foi morto com um tiro de revólver calibre 38 na cabeça, na manhã do dia 27 de abril, durante a invasão dos sem-terra à casa do administrador da fazenda, localizada no município de Tamarana (60 km ao sul de Londrina). Na tarde da véspera, ele e outros quatro homens, armados de revólveres e rifles, expulsaram da fazenda, sob ameaça de disparo, os sem-terra que não aceitavam deixar a área só pela negociação, contou João Gardin.
Segundo ele, Django e seus colegas engatilharam as armas e empurraram os sem-terra para fora da fazenda, sempre ameaçando matar quem resistisse às ordens. As cerca de 80 famílias de sem-terra haviam invadido parte da Borborema em setembro do ano passado. Não houve nenhum disparo, nenhum incidente naquela tarde. Sob pressão, os sem-terra pularam a cerca de arame farpado e deixaram a fazenda, explicou o motorista da CNT.
A repórter Débora Elias, que chefiava a equipe, não depôs ontem por motivo de doença. O cinegrafista Altair de Souza afirmou que Django e seus ajudantes eram muito violentos. Ele chegou falando grosso, ameaçando todo mundo e mostrando as armas. Django deu dois tapas em minha câmera e disse para eu parar de gravar, pedindo a fita de vídeo. Como eu não parei, ele me ameaçou mostrando o revólver que trazia na cintura, ressaltou ao delegado e ao promotor da 1ª Vara Criminal, Janderson Camões de Carvalho Iassaka, que está acompanhando os depoimentos.
Ele segurou o cabo do revólver e disse que contaria só até dois para que eu entregasse a fita. Eu entreguei, e fiquei sem poder gravar por mais de uma hora; até que os sem-terra saíram da fazenda e Django me devolveu a fita, contou o cinegrafista da CNT. Nos próximos dias vão depor os integrantes da equipe de reportagem da TV Londrina, únicos que presenciaram a invasão da casa do administrador da fazenda Borborema, quando morreu Django.
Na semana passada, o Instituto Médico Legal (IML) entregou ao delegado Jurandir André o laudo do exame de necrópsia realizado no cadáver de Django. Esse laudo era a última peça, de caráter técnico-burocrático, que faltava no inquérito. Agora, o delegado prosseguirá tomando depoimentos de profissionais da imprensa - como testemunhas - e de membros do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), acusados como responsáveis pela morte de Django.
Até ontem, apenas três pessoas ligadas ao MST - entre elas o diretor regional Josmar Choptian - prestaram depoimentos no 4º Distrito. Eles admitiram que estavam na casa do administrador da fazenda no momento do crime, mas negaram ser o autor ou ter visto o disparo e a morte de Django. Jurandir André espera ouvir pelo menos outros dez sem-terra, mas garante que já tem material suficiente para a conclusão do inquérito até o final do mês, mesmo sem novos depoimentos. A fazenda Borborema pertence a Chaufic Burihan e está arrendada a Pedro Ribeiro, responsável pela contratação de Django e demais seguranças para a expulsão dos sem-terra.


