Vânia Moreira




Sistema falidoPacientes fazem hemodiálise em hospital de Umuarama. Foto inferior, a nefrologista Sandra Martins dá a sentença: o que o SUS paga não dá para comprar máquinas novas

Uma falha no centro de hemodiálise do Hospital São Paulo, em Umuarama, trouxe de volta o fantasma que assombra portadores de insuficiência renal crônica desde a tragédia de Caruaru, no agreste pernambucano: a precariedade dos equipamentos e serviços oferecidos pelo sistema de saúde a estes pacientes de alto risco. O motor que alimenta as máquinas de hemodiálise do hospital queimou durante uma sessão. Os cinco pacientes que estavam ligados nas máquinas tiveram que ficar em observação na UTI até ser transferidos para o Instituto do Rim, no dia seguinte.
O sistema de saúde paranaense é muito melhor que o pernambucano e as chances de acontecer uma tragédia como a de Caruaru, onde 54 doentes morreram devido à contaminação da água usada na filtragem de sangue, são muito remotas. Porém, o episódio revela o sucateamento de equipamentos que os médicos atribuem aos baixos valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
As cinco máquinas do centro de hemodiálise do Hospital São Paulo têm quase 12 anos de uso e já deveriam ter sido substituídas pelo menos há seis anos, mas isto está fora de questão. Segundo a nefrologista Sandra Martins, o hospital só vai poder recuperar o equipamento ano que vem, porque agora está pagando 13º dos empregados. Sem a reforma necessária, orçada em R$ 10 mil, o centro ficará fechado até janeiro ou fevereiro.
Segundo Sandra Martins, as 12 máquinas de hemodiálise do Instituto do Rim também estão velhas e ultrapassadas. ‘‘O que o SUS paga não permite a reposição de equipamentos’’, diz. Cada máquina custa cerca de R$ 25 mil.
Os centros recebem R$ 72,00 por sessão de hemodiálise, dinheiro que paga somente as despesas com empregados e material, de acordo com a diretora do instituto. Os convênios de saúde não cobrem hemodiálise e transplantes e a maioria absoluta dos pacientes não tem condições de pagar o tratamento. A única opção é a rede pública de saúde.
O Instituto do Rim vai trabalhar com capacidade máxima nas próximas semanas para atender os pacientes do Hospital São Paulo. Se entrarem mais três ou quatro pacientes, será preciso criar mais um turno de atendimento, o que significa 16 horas de atendimento ininterrupto. Umuarama começou a fazer transplante de rim em 1985. De lá para cá foram feitos 74 transplantes, uma média de 7 por ano. Cinquenta pacientes de aproximadamente 40 municípios da região permanecem na fila de espera.

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