O avião-laboratório do Grupo Especial de Inspeção de Vôo (Geiv), da Força Aérea Brasileira (FAB), voltará a Londrina nos próximos dias para reavaliar o VOR e também testar o NDB (rádio-farol não direcionado), equipamentos de auxílio em pousos e decolagens que estão instalados no aeroporto local. Ainda não há uma data para a chegada do grupo mas, segundo garantiu a superintendência regional da Infraero no Rio Grande do Sul, Londrina é prioridade para realização do trabalho.
A informação foi passada ontem de manhã, por telefone, pelo superintendente regional da Infraero em Porto Alegre, Paulo Contioso de Franceschi. Ele ligou para o superintendente da Infraero em Londrina, Lourival Inácio Briana, durante um encontro na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) - que reuniu aproximadamente 15 representantes de entidades londrinenses.
A reunião, promovida pela própria Acil, discutia justamente o transtorno que a falta dos equipamentos tem causado para o aeroporto local. Somente no último final de semana, por exemplo, 26 vôos foram cancelados na cidade, a maioria por falta do VOR. O NDB, por outro lado, está homologado apenas para auxílio de pousos de aeronaves, e não decolagens - o que pode acontecer a partir da avaliação do Geiv.
O VOR reduz para 800 pés (248 metros) o teto e para 1.600 pés (487 metros) a visibilidade para pousos. Sem o equipamento de auxílio, o teto mínimo para pousos é de 1.500 pés (457 metros) e a visibilidade, de 5 mil pés (1.524 metros). O equipamento trabalha com sinais de alta frequência, orientando aeronaves num raio de 360 graus em 24 radiais.
No final de agosto, uma equipe do Geiv desaprovou a utilização do VOR porque ele estava apresentando desajustes acima do tolerável em quatro radiais. Como não houve nenhuma orientação depois da vistoria, Lourival Briana enviou um relatório à Superintendência Regional de Porto Alegre solicitando a compra de um novo aparelho, que custa em torno de R$ 1 milhão.
A demora na resposta por parte da superintendência da Infraero e também do Diretoria de Eletrônica e Proteção ao Vôo, do Ministério da Aeronáutica, além dos problemas como cancelamento de vôos, que vinham se acumulando, fez com que a prefeitura de Londrina comprometesse a pagar metade do valor do equipamento. Anteontem, o próprio governador Jaime Lerner se prontificou a comprar os equipamentos necessários para os aeroportos de Londrina e Curitiba (Afonso Pena), que também vem apresentando problemas.
‘‘Se dependesse de mim, o negócio já estava fechado. Acontece que existe uma hierarquia que tem que ser cumprida’’, disse Inácio Briana, no início da reunião de ontem, antes do telefonema da superintendência de Porto Alegre. Ele chegou a distribuir cópias de um quadro mostrando que a Infraero faz parte de uma estrutura de sistema de aviação civil e que não poderia resolver tudo de uma hora para outra. Ou seja, não adianta somente ter dinheiro para comprar o equipamento sem antes elaborar um estudo técnico detalhado, sobre necessidade do investimento e também projeto de instalação, além de passar pelos trâmites burocráticos.
Marcelo Rodrigues Silva, gerente de operação e monitoramento da Infraero, explicou ontem que o Geiv faz dois tipos de vôos para avaliar equipamentos como o VOR. O primeiro é o ‘‘vôo de inspeção’’, o mesmo realizado em agosto e que reprovou o equipamento em Londrina. Esta avaliação constata apenas se as radiais estão ou não trabalhando dentro dos limites mínimos de segurança.
O segundo vôo é o de ‘‘apoio a engenharia’’ que, além de verificar as condiçoes de operação do equipamento, também auxilia no ajuste de cada uma das 24 radiais. Ele acredita que o Geiv deverá realizar em Londrina, nos próximos dias, o segundo tipo de vôo, que pode finalmente reestabelecer o funcionamento do equipamento. Em 1996, recorda Silva, o VOR apresentou os mesmos problemas de agora e voltou a funcionar depois de ajustes realizados pelo vôo de apoio a engenharia.
Caso o VOR seja reprovado novamente (e definitivamente), destaca o superintendente local, a solução deverá ser mesmo a compra de um novo equipamento. Enquanto isso não ocorrer, a homologação do NDB também para decolagens poderá ao menos diminuir os problemas com cancelamentos de vôo por causa de mau tempo.

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