Pesquisas com petróleo, análise de condutores e semicondutores, estudo dos radicais livres em tecidos vivos e fluídos e datação arqueológica. Estas são algumas das utilidades realizadas pelo espectrômetro de ressonância paramagnética eletrônica. O aparelho, avaliado em US$ 200 mil, mereceu até a construção de um novo laboratório no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Inaugurado ontem, o prédio de 100 metros quadrados foi construído no Centro de Ciências Exatas. O uso do aparelho de 2,5 toneladas, no entanto, será bem mais amplo. Professores e alunos de cursos como agronomia, biologia, bioquímica, ciência dos materiais, física, geologia e medicina deverão utilizar o aparelho para pesquisas. De acordo com a professora do Departamento de Química, Carmem Luísa Barbosa Guedes, o espectrômetro também vai servir para aplicações práticas por empresas, profissionais e instituições. Na pós-graduação, os cursos mais beneficiados serão o mestrado em Química dos Recursos Naturais e o mestrado e o doutorado em Física e em Agronomia.
A construção do Laboratório de Fluorescência e Ressonância Paramagnética Eletrônica (Laflurpe) foi viabilizada com apoio financeiro da Petrobras e da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). Único do tipo no Norte do Paraná, o espectrômetro foi cedido em regime de comodato pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo.
A reitora Lygia Pupatto destacou que as parcerias com órgãos de financiamento e a iniciativa privada são o caminho para conseguir mais tecnologia e aproximar a instituição de ensino do setor produtivo. ''A pesquisa básica é necessária, mas também é importante diversificar. Esta é uma das contribuições da universidade pública para desenvolvimento do Estado e do País'', destacou.
O acordo assinado no final de 2003 prevê a cessão em comodato por cinco anos e renovação de ''tempos em tempos.'' O uso do equipamento por instituições como o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai gerar, de acordo com a coordenadora, retorno para a comunidade.
Sem o equipamento, as pesquisas eram feitas em laboratórios de Curitiba e São Carlos (SP). Pelo menos provisoriamente, Carmem Luísa vai acumular a função técnica de operadora do espectrômetro. Um pedido oficial de contratação de profissional da área de química já foi encaminhado para a reitoria.

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