‘‘A genialidade, às vezes, é fruto do acaso, de uma mera coincidência’’, disse certa vez o cientista Albert Einstein, o pai da teoria da relatividade. O doutor em engenharia nuclear e professor do departamento de Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Cesar Antonio Caggiano dos Santos, se deparou recentemente com uma grande coincidência. Pesquisador do Laboratório de Instrumentação em Engenharia Biomédia da UEL, ele teve seu pai Antonio dos Santos, de 70 anos, repentina e seriamente acamado, vítima de um derrame cerebral.
Conversando com uma enfermeira do Hospital Evangélico de Curitiba, onde seu pai estava internado havia cerca de um mês, ele teve a idéia: projetar e construir uma banheira especial que, acoplada ao leito hospitalar ou à cama de sua residência, pudesse melhorar as condições de higiene do paciente e facilitar o trabalho dos profissionais da medicina e de sua mãe, Avany Caggiano Santos, também com 70 anos de idade.
Daí para a prancheta, os cálculos no computador, a busca do material mais indicado, o desenho e a montagem da nova banheira foram cerca de 15 dias de rigorosa pesquisa teórica e muito trabalho prático. Ela foi construída e montada pelos funcionários da Levita Móveis Hospitalares e custou cerca de R$ 450,00, bancados pelo próprio inventor, que é também presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público de Londrina (Sindiprol).
A banheira é construída quase que totalmente em aço inoxidável, sobre uma base de ferro que pode ser movimentada através de quatro rodinhas com travas. Este protótipo mede 1,70 m de comprimento, 70 cm de largura, e tem 15 cm de profundidade. Seu piso interno é revestido com uma ‘gradinha’ plástica, daquelas usadas em sauna, para possibilitar o rápido escoamento da água usada no banho do paciente, que desce para a mangueira do esgoto em consequência de uma inclinação de 2 cm.
Uma outra mangueira comprida, com chuveirinho na extremidade, é ligada diretamente ao chuveiro do hospital ou da residência do doente, para garantir água na temperatura ideal. Até aí, não teríamos grande novidade: uma maca ou cama com um paciente imobilizado, e uma banheira adaptada sobre rodas para ser levada com mais facilidade até o leito. ‘‘É muito mais fácil e melhor levar o banheiro até o paciente, do que levá-lo até o banheiro. Isto facilita a vida das pessoas que cuidam do doente, e possibilita a ele quantos banhos diários forem necessários’’, comenta Cesar Santos.
Mas a principal inovação do equipamento é o sistema de remoção do paciente da maca ou cama e o seu transporte até a banheira, e vice-versa depois de lavado e enxuto. O sistema de ‘elevação e transporte’ funciona através de esticadores de alta tensão, daqueles utilizados para prender motocicletas sobre reboques na traseira dos automóveis.
Os dois esticadores principais são enganchados numa haste de ferro, em formado de U invertido, fixada na lateral da cama. Os esticadores são interligados por uma rede de nylon, parecida com aquelas usadas por pescadores. É dentro dela que o paciente é transportado, ‘pelo sistema de balança’, da cama para a banheira e de volta ao leito.
‘‘Neste tipo de rede e com estes esticadores, podemos fazer o transporte seguro de pacientes com até 100 quilos de peso. A redinha de nylon, além de ser prática porque não causa grande aderência de detritos, também ajuda a massagear as costas do doente, possibilitando uma melhor circulação sanguínea’’, explica o engenheiro nuclear, que pretende em breve patentear o invento através da UEL. ‘‘Para operar o equipamento não é necessário muita força física. Uma mulher, mesmo que franzina, é capaz de operá-lo sozinha; levantando e transportando o doente da cama para a banheira com facilidade.’
De acordo com Cesar Santos, a empresa Levita já demonstrou interesse em firmar um possível convênio com a UEL para a produção, em escala industrial, do equipamento para utilização no Hospital Universitário de Londrina. ‘‘Esta banheira será especialmente útil para os pacientes de UTI, ou os que estejam em suas casas sem capacidade de movimentos. Ela permite uma higiene total, diminuindo os riscos de assaduras e infecções pelos dejetos dos doentes que infelizmente são obrigados a fazer suas necessidades fisiológicas nos próprios leitos’’, ressalta o professor da UEL.

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