Equipamento espera por uso ha 3 anos
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quarta-feira, 27 de novembro de 1996
Paulo Pegoraro 
Uma bomba de cobalto para radioterapia doada há três anos pelo Instituto Nacional do Câncer, do Rio de Janeiro, à União Oeste Paranaense de Combate ao Câncer (Uopeccan), e repassada ao Hospital Regional de Cascavel (HRC), permanece enterrada em uma casamata no hospital, sem funcionar. A Uopeccan e entidades de apoio aos doentes aproveitarão o Dia Nacional de Combate ao Câncer, hoje, para chamar atenção para o frequente adiamento da ativação do equipamento.
A bomba custa R$ 500 mil e foi conseguida pela Uopeccan depois de muita luta, diz o presidente da entidade, Sérgio Donadussi. Ele lamenta que, passados três anos, ela ainda não esteja operando. Aparecem as mais variadas desculpas, queixa-se.
A responsabilidade é atribuída ao HRC e à Secretaria Estadual de Saúde, que mantém o hospital. Segundo Donadussi, já há autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para o funcionamento da bomba. Enquanto isso, os doentes da região são obrigados a fazer tratamento em Curitiba ou Londrina.
Um dos empecilhos seria a necessidade de substituição de uma pastilha radioativa, que perderá sua vida útil em dois meses. Segundo o diretor do HRC, Marcos Horikawa, uma pastilha nova custa R$ 100 mil, incluindo encargos, mas a Uopeccan garante que o custo é de apenas R$ 60 mil, de acordo com uma empresa que fornece o componente.
Outra dificuldade estaria relacionada à responsabilidade técnica para operação da bomba, exigida pela CNEN. O radioterapeuta Antônio Tadeu Rodrigues, do Rio, tinha contrato firmado com o Conselho Comunitário do HRC, extinto no início do ano.
A Secretaria de Saúde assumiu integralmente o hospital, mas como não revogou o contrato, ele continua válido para o CNEN, segundo a Uopeccan. Marcos Horikawa, porém, sustenta haver necessidade de renovar o contrato, o que estaria sendo inviabilizado pela remuneração solicitada pelo especialista, que se responsabilizaria também por um físico, e estaria exigindo 55% da receita bruta do serviço de radioterapia, relata Horikawa.
Outra controvérsia é relacionada à exigência do Ministério da Saúde, de que serviço de radioterapia seja licenciado apenas em conjunto com quimioterapia (tratamento com medicamentos) e braquiterapia (para o câncer ginecológico). Segundo o diretor geral do HRC, o componente para que a operação de braquiterapia custa R$ 250 mil. A Uopeccan sustenta que este é o custo de um equipamento sofisticado, de alta voltagem, mas que poderia ser utilizado um mais simples, que custariam cerca de R$ 30 mil.
Outro impasse é com relação à licença definitiva para a operação do serviço e seu credenciamento junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Sérgio Donadussi, estas providências dependem apenas de uma decisão da Secretaria da Saúde, pois em instância superior serão apenas homologados os procedimentos.


