Leandro TaquesMedoMarcelo Nunes é ‘empurrado’ ao elevador pelo amigo Bernardo BittencourtAscensorista. Esta seria a última profissão escolhida pelo diagramador curitibano Marcelo Victorino Nunes, 28 anos. Elevador, para ele, é sinônimo de falta de respiração, medo e nervosismo. Marcelo é uma das vítimas da Síndrome do Pânico, que afeta milhares de pessoas em todo o mundo. No caso dele, a fobia está relacionada a lugares fechados, pequenos ou com grande número de pessoas.
Marcelo conta que os sintomas começaram a surgir há quatro anos, quando ele estava hospedado em um hotel em São Paulo. ‘‘Entrei sozinho no elevador e, de repente, comecei a perder a respiração e suar frio. Queria descer até o térreo, mas o elevador começou a subir sem parar. Apertava os botões do painel mas não adiantava’’, relata.
Depois desse dia, o diagramador passou a sentir pânico toda vez que tinha de entrar em um elevador. ‘‘Quando eu descia, já estava tremendo.’’
Nunes procurou um psicólogo, que diagnosticou a Síndrome do Pânico, e agora toma medicamentos antidepressivos e estimulantes, receitados por um neurologista para tratar a doença. ‘‘Já estou me sentindo melhor, mas ainda não arrisco entrar em um elevador para ver se estou curado’’, diz.
Mesmo quando precisa ir a apartamentos nos últimos andares de um edifício, ele aproveita para se exercitar e vai pela escada. ‘‘Sempre procuro evitar prédios altos, mas quando não há outro jeito vou de escada, tranquilo e calmo’’, conta.
No início do ano, Nunes estava procurando apartamento para comprar e um dos itens que mais pesaram na hora de fechar o negócio foi a altura do imóvel. ‘‘Vi um anúncio no Champagnat, mas quando descobri que o apartamento era no 11º andar, desisti na hora. Acabei comprando um no segundo andar, para evitar o elevador’’, comenta. (G.P.)

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