Época de política é assim...
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segunda-feira, 30 de setembro de 2002
Sid Sauer<BR>Equipe da Folha 
Campo Mourão - A moça não aparenta ter mais de 20 anos. Ela fica o dia todo no Calçadão, na esquina da Capitão Índio Bandeira com a Harrison José Borges. Veste uma camiseta alaranjada com o nome de um candidato que ninguém sabe de onde é e segura uma bandeira de um candidato a governador. Ao seu lado, no chão, onze placas trazem nomes e fotos de pelo menos mais uns 20 candidatos.
Não há como não reparar, porém, que aquela esquina, assim como outras da cidade, só fica desse jeito a cada dois anos. ''Época de campanha é fogo'', comenta um aposentado que observa tudo sentado num banco do Calçadão. ''Pelo menos dá emprego para essa gente'', responde o amigo. A conversa pára por aí, interrompida por um carro de som. O veículo anuncia um comício. O volume do som parece exagerado, mas ninguém liga.
Mal vai o carro de som e lá vem do outro lado uma carreata. Vários carros fazendo o maior buzinaço. Ninguém se preoupa com as regras de trânsito. Tem até camioneta com gente em cima soltando foguetes. Todo dia é assim. Um candidato querendo fazer uma carreata maior que a outra para deixar o clima de campanha com maior adesão. E lá vem mais um carro de som. O jingle é bonitinho, mas o candidato, hummmm...
Período de campanha eleitoral é assim. Muda a cara da cidade. Ela fica mais barulhenta, mais agitada, mais suja, mais poluída. É difícil andar uma quadra sem ver algum santinho jogado pelo chão. Mas santinho é coisa antiga. Cartazes em postes de energia também. A moda agora é espalhar pelas calçadas cavaletes com fotos e nomes de candidatos. Na esquina da Irmãos Pereira com a São Paulo nem há mais espaço.
''Eu não voto nesses candidatos que poluem a cidade'', protesta o pasteleiro que tem que desviar pela rua para seguir com sua caminhada em busca de clientes famintos. O curioso é que os caveletes começaram pequenos, discretos. Não tinham mais do que 40 centímetros de altura. Com o passar dos dias, foram crescendo. Os adversários foram fazendo materiais maiores e a briga pegou fogo. Hoje já tem cavalete de 3 metros por aí.
E quem mora na periferia, então? Montam os palanques sem perguntar aos vizinhos se eles estão a fim de ficar ouvindo discursos e show de músicas que, muitas vezes, nem curtem. ''Fazer o quê? Temos que aguentar'', diz a dona-de-casa da Rua das Palmeiras, que já assistiu da janela da sala a três ''showmícios'' este ano. Se bem que, na verdade, ela gosta do movimento. ''Pra nós é uma festa'', conta o menino que junta santinhos.
Até a televisão muda a programação! ''Não passa mais jogo na quarta-feira'', reclama o torcedor fanático. ''Sorte sua, que é palmeirense'', rebate o outro aproveitando para tirar uma casquinha da má fase do time do colega. Parte disso tudo acaba neste domingo. Mas deve haver segundo turno. ''Ih, eu já vi isso! É quando aqueles que se xingam agora começam a se abraçar'', define o barbeiro. É, época de política é assim...


