Época de festas juninas e queimaduras
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de junho de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O número de apreensões de balões aumenta quase seis vezes durante as festas juninas, segundo dados do Batalhão da Polícia Ambiental do Paraná - Força Verde. No ano passado, foram 175 apreensões no período. A média mensal, de acordo com comandante João Alves da Rosa Neto, fica entre 20 e 30. Pela lei de Crimes Ambientais, fabricar, vender, transportar e soltar balões é crime. A pena prevista é detenção de um a três anos, multa, ou ambas, cumulativamente. No ano passado, cerca de 50 pessoas foram presas por causa da prática.
O balão pode cair aceso em florestas, residências e indústrias, causando grandes prejuízos patrimoniais, ao meio ambiente e colocando a vida das pessoas em risco. No início deste mês, um balão caiu sobre o telhado de um grande shopping curitibano, provocando um incêndio que foi contido logo no início.
''Nós recebemos também vários avisos dos aeroportos sobre balões que estariam atrapalhando a visibilidade dos aviões. Além do trabalho de fiscalização, monitorando possíveis grupos e pessoas adeptas da prática criminosa, dependemos muito de denúncias da população'', explica Rosa Neto.
Ao avistar um deles, o comandante recomenda que a pessoa acompanhe a trajetória, tentando identificar o local onde ele possa cair. Nesse caso, o telefone de emergências é dos Bombeiros (193). Para denúncias, a Força Verde tem um número gratuito em que a pessoa não precisa se identificar. É o 0800 643 0304.
Crianças
No Hospital Evangélico de Curitiba, referência paranaense e nacional no tratamento de queimados, o número de atendimentos de pequenas queimaduras aumenta em torno de 20% nesta época do ano. Segundo o médico do serviço de cirurgia plástica e queimados do hospital, José Luiz Takaki, a maioria dos acidentes é causada por fogos de artifício, brasas de fogueiras, bombinhas, além de equipamentos utilizados para aquecer banheiros e outros ambientes.
Dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras mostram que, durante as festas juninas, os atendimentos a pessoas que sofreram queimaduras nas emergências dos hospitais dobram. Mais de 80% das vítimas são crianças. Os motivos são a imprudência no uso de materiais inflamáveis e explosivos e brincadeiras perto de fogueiras.
Segundo a Associação Brasileira de Cirurgia da Mão (ABCM), cerca de 40% dos atingidos nas brincadeiras estão na faixa de 4 a 14 anos de idade. Os acidentes acontecem por falta orientação sobre os riscos ou pela proximidade do local na hora da explosão.
Em caso de acidentes, o primeiro atendimento deve ser rápido. O cirurgião plástico orienta molhar a região queimada com água corrente. ''Nada, seja pomadas, cremes ou outros produtos, deve ser colocado sobre a área atingida. Após esfriar, deve-s enrolar um pano limpo e molhado. Além de cobrir a terminação nervosa, o curativo tem um efeito de hidroanalgesia, diminuindo a dor'', explica Takaki. Ele alerta que ao passar produtos sobre a queimadura, ao serem retirados para o curativo médico podem causar mais ferimentos.
Com essas medidas, a vítima terá algum tempo de tranquilidade antes de ter que procurar um serviço de emergência. Takaki também orienta a procura, na medida do possível, de um médico especializado em queimados.


