O caso inusitado do coelhinho endereçado à mulher de Marcelo Borelli, na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), esta semana, fez muita gente lembrar de outros episódios penitenciários dignos de cinema, com armas sendo enviadas a detentos dentro de bolos ou celulares que entram em presídios escondidos em lugares pouco nobres dos corpos de visitantes. Londrina, porém, tem poucos casos para contar além do coelhinho. Na própria PEL, o episódio foi o primeiro a chamar grande atenção em oito anos de funcionamento do Presídio. ''Acho que o pessoal conhece o rigor da revista, nunca ninguém tentou alguma grande ousadia'', afirma Jorge Roberto Igarashi, vice-diretor da PEL.
O único episódio curioso que vem à mente de Igarashi aconteceu na antiga Prisão Provisória, quando uma pistola foi encontrada num fundo falso de uma marmita que seria entregue a um detento. O vice-diretor explica que os presidiários podem receber encomendas do correio, que são sempre revistadas. ''O que mandam muito é roupa. Nas visitas de domingo, os parentes às vezes trazem comida, mas é raro'', disse.
Mesmo que não tivesse chamado a atenção, o coelhinho de Borelli nunca chegaria a seu destino: brinquedos não são aceitos na unidade. Na Casa de Custódia de Londrina (CCL), o rigor da revista também assusta quem tenta levar objetos proibidos para dentro do presídio. ''Levamos todos os visitantes para salas de revista, onde eles têm que ficar completamente nus. É um condicionante para entrar. Quem tenta passar alguma coisa para dentro pensa duas vezes'', explicou Diógenes Gonçalves, gerente operacional da CCL.
Geralmente, neste estágio, os planos do visitante mal-intencionado já naufragam. ''Uma vez, uma mulher entrou com cocaína costurada na barra da calça. Na hora da revista foi descoberta'', disse Gonçalves. O gerente se lembra de mais dois casos inusitados: em novembro de 2001, logo que a Casa de Custódia foi inaugurada, uma mulher de cerca de 1,50 metro de altura apareceu para uma visita usando tênis número 42. No farto espaço que sobrava nos calçados, havia maconha.
Em outra oportunidade, um senhor insistiu em entregar uma garrafa de café para um detento. ''Um policial fez a degustação e achou o sabor ardido demais. Era conhaque. Mas o sujeito insistia que era remédio caseiro'', lembrou. Na CCL, não é permitida a entrada de comida, a não ser que o preso consuma tudo no pátio.
''Tem que tomar todo o cuidado. Hoje em dia, se usa criança com fralda e até absorvente para colocar droga para dentro de cadeia. Estamos sempre aprimorando os métodos de revista'', finalizou Gonçalves.
Mesmo assim, alguns objetos passam: no ano passado, se tornou celébre o caso de um detento da Prisão Provisória de Londrina (PPL), hoje anexada à PEL, que escondeu um celular no ânus. A Polícia cogitou que o telefone teria sido repassado ao preso por visitantes.

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