Episódio da morte será reconstituído
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sexta-feira, 03 de janeiro de 1997
Célia Baroni 
As circunstâncias da morte do fazendeiro e pioneiro Olavo Godoy, 84 anos, serão reconstituídas pela polícia. O delegado do 6º Distrito Policial de Londrina, Édson Casagrande, informou ontem que a reconstituição dos fatos deverá ser marcada até o final da semana que vem. Olavo Godoy morreu em 22 de dezembro, no Hospital Evangélico. Segundo a família, horas antes de ser internado ele havia sofrido uma queda em seu quarto.
Um novo depoimento da empregada da fazenda, Rosana Aparecida Martins, contradiz a versão inicial do advogado de Josyê Godoy sobre os fatos que levaram à morte do pioneiro. Alegando ter recebido ameaças de Josyê Godoy, ela disse ter sido obrigada a confirmar a história de que a queda do pioneiro teria ocorrido durante um tumulto na fazenda, por volta do meio-dia daquele domingo.
Tive medo por meu filho e marido afirmou. Rosana só decidiu dizer a verdade depois de fugir da fazenda acompanhada do filho e do marido e agora diz estar vivendo de casa em casa para escapar das ameaças da ex-patroa. Rosana conta que ela e a enfermeira Nancy Alves Takaoka encontraram Olavo Godoy caído no chão e se contorcendo em meio ao sangue, por volta das 9 horas da manhã de domingo. Assustadas, chamaram Josyê Godoy que, segundo Rosana, se limitou a fazer cenas de desespero, mas não autorizou que chamassem um médico.
Pedimos várias vezes para que ela o levasse a um hospital, mas Josyê respondia grosseiramente que decidiria a hora de chamar o médico, conta. Rosana diz que Olavo Godoy aparentava estar em estado grave e sangrava muito. Afirma também que os lençóis e a fronha da cama de Olavo Godoy estavam sujas de sangue. Mesmo assim Josyê fez a gente dar um banho nele e limpar o chão. Às 15 horas, o pioneiro foi levado ao Hospital Evangélico. Ele falecer duas horas depois.
O tumulto na fazenda, segundo Rosana, só aconteceu cerca de três horas depois de Olavo Godoy ter sido encontrado caído no chão do quarto. Mas ele ainda estava na casa sem atendimento médico. Rosana relata que, ao sair para buscar água, deparou-se com um homem negro e alto armado. Corri para avisar a dona Josyê, que pegou uma arma debaixo da cama e atirou pela janela do banheiro mandando o homem embora. Ela garante que o homem não chegou a disparar.
Vários detalhes chamaram a atenção do delegado Édson Casagrande que, baseado no novo depoimento, chegou a pedir a prisão preventiva de Josyê Godoy. O pedido foi negado pelo juiz da 10ª Vara Cível de Londrina, Mário Azzolini.
Casagrande estranha o fato de nenhuma das duas funcionárias ter ouvido o impacto no chão da queda do pioneiro. O chão da casa é de madeira suspensa e qualquer impacto mais forte pode ser ouvido na cozinha.
Olavo Godoy sofria de mal de Parkinson e, já há alguns meses, não andava e não saia da cama. Se ele não conseguia se levantar, como ele caiu da cama com força suficiente para provocar o volume e proporção do sangramento relatados pelas testemunhas?. O resultado inicial dos exames do Instituto Médico Legal (IML) também não esclarece a causa da morte do pioneiro.
Segundo o delegado, os ferimentos externos não justificavam a morte de Godoy e os médicos do IML optaram por encaminhar partes internas do corpo de godoy para Curitiba para exames mais detalhados. As investigações estão sendo realizadas justamente para apurar se a morte de Olvavo Godoy foi ou não um acidente. O resultado final da necrópsia sai nos próximos dias.
Na segunda-feira, o delegado começa a ouvir testemunhas chaves do caso, entre eles os médicos do Evangélico que atenderam o pioneiro; três empregados da fazenda que estavam na casa no dia da morte de Godoy e a enfermeira Nancy Alves Takaoka. Casagrande afirma que, apesar de intimada a prestar depoimento, Nancy está desaparecida desde o enterro do pioneiro.


