A demissão do ex-secretário municipal de Saúde, João Carlos Baracho, foi motivada pela epidemia de gripe registrada no começo de julho. Pelo menos essa foi a versão apresentada ontem pelo prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, e pelo próprio Baracho, na posse do novo secretário Luciano Ducci. Segundo Baracho, a epidemia de gripe provocou um ‘‘número bastante acentuado de internamentos hospitalares’’, o que gerou um déficit no fluxo de caixa da secretaria.
As explicações do prefeito foram comedidas, como de hábito. Taniguchi elogiou o trabalho de Baracho, mas admitiu um ‘‘descompasso entre receita e despesa’’ no Fundo Municipal de Saúde, que teria um rombo de R$ 10,7 milhões no mês passado. O prefeito não confirmou esse valor, mas disse que o montante ‘‘não é significativo, nada que não possa ser ajustado em três meses’’. ‘‘Esse descompasso talvez tenha apressado um pouco a substituição’’, admitiu o prefeito. ‘‘Qualquer ilação em relação a valores seria complicada neste momento, mas estamos trabalhando com tranquilidade. O secretário Baracho entendeu essa situação e preferiu se afastar’’, afirmou Taniguchi.
O prefeito procurou minimizar a importância da troca de secretários, avaliada por ele como uma ‘‘transição tranquila’’. E disse mais uma vez que se trata de uma ‘‘questão administrativa’’. Indagado se podem haver novas mudanças no secretariado, respondeu: ‘‘Olha, pode acontecer, é um cargo de confiança e obviamente todos estão sujeitos a serem mudados’’.
Ao detalhar os motivos de sua saída, Baracho disse que a demissão não está relacionada à proposta de trocar dívidas de ISS da empresa de saúde Unimed por atendimento aos servidores municipais. ‘‘Não teve nada a ver’’, afirmou Baracho, que, no entanto, preferiu não opinar sobre o acordo que está sendo costurado pela Secretaria de Finanças com a Unimed. Também o prefeito voltou a descartar relação entre os dois fatos. ‘‘Estão misturando as coisas’’, disse Taniguchi.
Para Baracho, ‘‘aconteceu uma série de problemas que acabam desgastando os relacionamentos e na verdade a renovação vem para dar um novo ânimo’’. Segundo ele, ‘‘na Saúde nada é muito simples, não existe uma solução mágica, que tem de vir com a definição de formas adequadas para o financiamento da Saúde’’.
A posse do médico pediatra Luciano Ducci foi prestigiada por todo o primeiro escalão da Prefeitura, no Salão Nobre. A presença do secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, era esperada, até porque Ducci foi seu diretor-geral por três anos e meio.

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