Epidemia de dengue em Primeiro de Maio
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Marian Trigueiros<BR>Reportagem Local 
Primeiro de Maio - O município de Primeiro de Maio (Norte) vai iniciar uma verdadeira operação de combate à dengue. O motivo é que nas últimas três semanas a cidade, de 11 mil habitantes, registrou 30 casos da doença. Esse número pode ser ainda maior, já que existem outros 153 casos notificados aguardando o teste de sorologia.
Segundo o coordenador regional do programa de controle da dengue da 17 Regional de Saúde, José Carlos Moraes, diante dos números, a situação é considerada início de epidemia. ''O cálculo de base é: 300 casos por 100 mil habitantes é considerado epidemia. Em Primeiro de Maio, a preocupação é que os casos foram registrados num período de três semanas'', explica.
De acordo com ele, outros 21 municípios que a Regional compreende também estão sob risco de epidemia. ''Vários são os fatores responsáveis. Entre eles estão principalmente as características do clima da região, o grande número de pessoas viajando e o alto índice de infestação vetorial.''
Ao todo já são 1.356 casos notificados na Regional, sendo 95 confirmados. Conforme o coordenador, foram feitas campanhas em todos os municípios, bem como a realização de métodos de controle de infestação do vetor. ''Infelizmente, só o poder público não consegue fazer tudo sozinho. O comportamento da população é que vai fazer a diferença'', comentou Moraes.
Entre as principais ações no município, Moraes destaca que haverá continuidade de aplicação de fumacê até domingo, um mutirão de limpeza para recolher os criadouros do mosquito na próxima sexta-feira, que inclusive vai suspender todas as atividades escolares e religiosas do município, organização do serviço de assistência, manejo clínico e monitoramento do paciente com a doença, e entrega da panfletos e orientação aos visitantes no fim de semana, já que se trata de uma cidade turística.
O secretário municipal da cidade, Everaldo de Amorim, disse que desde de outubro do ano passado, a prefeitura vem fazendo campanhas de conscientização junto à população. ''Mas as pessoas não se atentaram para a gravidade da doença. Somente quando acontece, quando há números, que começam a se mobilizar. O problema é que tudo a aconteceu muito rápido, no intervalo de três semanas'', revelou.
No entanto, segundo ele, ainda há pouca adesão da comunidade. ''Houve casos em que moradores não permitiram a entrada de agentes no quintal de suas casas para aplicação de inseticida. Por isso, está sendo cogitada um esquema mais rígido, inclusive com notificações e multas.''
O que mais chama a atenção é que no ano passado não houve nenhum caso confirmado na cidade, apenas dois casos importados. Sobre o motivo que teria levado a cidade a estar em situação de emergência, o secretário diz não saber o que pode ter acontecido. ''Temos algumas hipóteses, como o fato de ser uma cidade turística e a epidemia no ano passado em Sertanópolis e a grande circulação de pessoas de lá para Primeiro de Maio que, porventura, poderiam estar contaminadas. Mas o principal, é a falta de cuidados básicos'', completou.


