Se fosse depender apenas da renda gerada pela Zona Azul, a Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel) amargaria um déficit médio de R$ 22 mil mensais. Segundo números apresentados pelo padre Carlos Alberto Wessler, diretor da Epesmel, e por Joel Garcia, voluntário apoiador da entidade, em visita à FOLHA, a Zona Azul rendeu, em média R$ 126.390,35 por mês. O valor é baseado na arrecadação entre os meses de setembro de 2007 e fevereiro deste ano. Para resolver o problema, uma das sugestões é aumentar a tarifa do estacionamento rotativo.
Garcia e Wessler sugerem aumento no preço de R$ 0,45 para R$ 0,50 o período de meia hora, e de R$ 0,90 para R$ 1,00 a hora. ''Estamos sem reajustar os preços há três anos. Além disso, os salários, o custo de vida e as despesas com os orientadores, depois que estes passaram a ser maiores de 18 anos, aumentaram'', explica Garcia.
Apenas para quitar a folha de pagamento, incluindo os cerca de 200 jovens entre 18 e 24 anos que trabalham como orientadores, a Epesmel gasta R$ 104 mil. O salário desses jovens é de R$ 297 por seis horas diárias de trabalho, mas eles recebem R$ 50 em vale-alimentação e mais bonificação sobre a venda de talões. Mesmo com esses benefícios, padre Wessler revela que a rotatividade desses orientadores, incluídos no programa Jovem Aprendiz, é grande. Atualmente, há 40 vagas em aberto para esse cargo.
A despesa com transporte, praticamente inexistente quando a Zona Azul operava com orientadores com menos de 18 anos, é superior a R$20 mil. E, em terceiro lugar na lista das despesas está uma taxa paga à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) a título de gerenciamento, no valor de R$7,5 mil.
Outras duas sugestões para resolver o problema são isenção da taxa da CMTU e passe livre para os orientadores. ''Nós não estamos pensando em ganhar. Desenvolvemos um importante trabalho social, que depende desse dinheiro. Se ficamos deficitários, precisamos tirar de outras fontes, e não conseguimos expandir nosso atendimento para atender à crescente demanda'', justifica Garcia, lembrando que a Epesmel oferece diversos cursos profissionalizantes, programas sócio-educativos, alimentação (lanches e almoço), atividades de contraturno escolar e o projeto Murialdo, que atende adolescentes que cometem atos infracionais.

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