Marcos NegriniNeusa Aparecida dos Santos e Ademar Felícia, moradores do bairro: providências urgentesA chuva forte de 15 minutos que caiu ontem sobre Sarandi (7 km de Maringá) transformou os 500 metros finais da avenida Deputado Borsari Neto em um rio de correnteza forte e, em alguns trechos, com mais de três metros de altura. A avenida tem asfalto até o início das cerca de 300 casas do bairro Jardim Social. A partir desse ponto até um afluente do rio Guaiapó, o trecho é de terra e é tomado por uma erosão com cerca de cinco metros de diâmetro.
Os moradores do bairro enfrentam perigo há oito anos. Em 96, uma criança de cinco anos morreu arrastada pela correnteza; no sábado de Carnaval deste ano, outras duas crianças, levadas pelas enxurradas, foram salvas por soldados do Corpo de Bombeiros.
Segundo o pedreiro Gílson Maximiano, 27 anos, em período de estiagem uma água de cor azul e com mau cheiro, que desce de uma fábrica de roupas, forma poças no trecho. ‘‘O cheiro só desaparece quando chove’’. Ele diz que não deixa nenhum de seus três filhos brincarem próximo à erosão. Mas os garotos Adriano Gino, de 11 anos, e Ademar Felício, de 7 anos, não pensam assim. ‘‘Quando chove, brincar na lama é a nossa única diversão’’, diz Adriano.
A dona-de-casa Neusa Aparecida dos Santos, 41 anos, mora há 11 anos no bairro, bem em frente à erosão da Borsari Neto. Ela diz que não aguenta mais tantos problemas causados pela chuva: ‘‘Além da lama, da dificuldade em me locomover, da falta de esgoto, ainda tem a minha casinha, que eu mesmo ergui junto com meu marido Aristides, que treme toda quando chove provocando rachaduras nas paredes. Peço às autoridades que socorram este bairro’’.
O engenheiro Geraldo Bauer, da Divisão de Obras da Prefeitura de Sarandi, explicou à Folha que por falta de uma galeria de águas pluviais no final da Borsari Neto, o local recebe toda a água da chuva que escorre de cerca de 10 bairros localizados acima do Jardim Social.
‘‘Já colocamos 700 metros de tubulação, mas ainda faltam 100 metros, que resolveriam o problema. Mas a prefeitura sozinha não tem condições financeiras de resolver este problema. O projeto para a complementação da galeria de águas pluviais está no Ministério do Planejamento, em Brasília, já foi aprovado e só falta a liberação do dinheiro’’, informa.

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