ENXERGANDO MAIS - Serão investidos R$ 140 mil no Banco de Olhos de Londrina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
O Banco de Olhos do Hospital Universitário de Londrina (BOL-HU), que poderá qualificar o serviço de doações e transplantes de córneas da região, deve ser implantado e credenciado junto ao Ministério da Saúde até o final do ano.
O projeto está sendo adequado e avaliado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado, que vai dar sinal verde para que seja realizada a licitação dos equipamentos e do veículo que fará o transporte dos tecidos oculares. No total, serão investidos R$ 140 mil no BOL-HU.
Segundo o responsável pelo Banco de Olhos de Londrina, Sérgio Pacheco, o espaço físico já existe dentro do HU. ''Fiz o curso para me habilitar a montar o banco de olhos em 2000. De lá para cá, venho tentando implantá-lo. A princípio não existia verba do governo, criamos um projeto para o Lions Clube. Mas quando soubemos que demoraria mais de dois anos para ser aprovado, resolvemos tentar com o governo e conseguimos sensibilizar as autoridades'', conta ele.
Na região de Londrina, as córneas são recolhidas pela Central Regional de Captação e Doação de Tecidos e Órgãos, que faz a distribuição de acordo com a fila única de espera, que hoje tem 138 pacientes. Segundo informações da central, no primeiro semestre foram recebidas 77 doações que beneficiaram quase 150 pessoas. Precisaria dobrar o número de doações, por semestre, para zerar a lista de espera em pouco tempo, de acordo com Pacheco.
''Hoje só se retira a córnea. Com o Banco de Olhos teremos uma equipe para fazer a abordagem e retirada total do globo ocular, captando a córnea e a esclera (parte branca). Vamos poder analisar com mais detalhes se o destino será o transplante ou pesquisa. Todo mundo é doador em potencial'', explica Pacheco, acrescentando que o processo atual não permite avaliar se a córnea de um doador de 70 anos pode ser transplantada para um jovem de 18 anos, por exemplo. Por isso, procura-se compatibilizar a idade do doador com a do receptor. Com o BOL-HU isso será possível.
Para Pacheco, o mais importante é que o Banco de Olhos vai possibilitar a promoção de campanhas dirigidas para córneas, visando aumentar as doações. ''Pretendemos usar o modelo aplicado em Sorocaba. A Escola Paulista de Medicina nos dará apoio logístico para isto'', informou ele. ''No momento só temos dois bancos de olhos, um no Hospital de Clínicas de Curitiba e outro em Cascavel. A implantação em Londrina será um avanço. Quatro ou cinco bancos seriam o ideal, mas três bancos já dão conta da demanda do Estado'', informa Hamilton Moreira, coordenador do Banco de Tecidos Oculares do Hospital de Clínicas de Curitiba.


