Mostrar a riqueza da flora e da fauna do Estado. Foi com esse objetivo que estagiários do curso de Biologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) produziram a exposição Animais e Plantas do Paraná. Aberta na última terça-feira, a mostra, que prossegue até domingo, no Museu Histórico de Londrina, recebeu visitantes especiais ontem. Um grupo de pessoas com deficiência visual fez um passeio monitorado e, através do tato, entraram em contato com peixes, árvores, grãos e bichos que habitam as florestas paranaenses desde a época da colonização.
''Fizemos uma réplica das florestas da região de Araucária, além de animais como tamanduá-bandeira e tatu-galinha. Já a região de Londrina está representada por bichos como jacaré, lontra, onça parda, cascudos e dourados, e por pés de peroba e palmito'', explica a professora do Departamento de Biologia da UEL, Maria Odete Santos Vieira. Ela conta que o convite aos deficientes faz parte de um projeto de inclusão dos cursos de licenciatura que forma professores.
Cerca de 20 pessoas atendidas pelo Instituto do Cego e pelo Centro de Atendimento Educacional do Colégio Estadual Hugo Simas visitaram a exposição. Cada integrante era acompanhado por um estagiário que dava orientações sobre o objeto exposto e incentivava o visitante a explorar as peças através do tato. O aposentado Vicente Martins Santos, 69 anos, disse que ficou emocionado ao entrar novamente em contato com pés de café e algodão. ''Lembrei dos tempos em que cheguei a Londrina, em 1979, e ajudei a colher muito café. É uma experiência muito interessante'', afirma ele, que perdeu a visão há sete anos devido a um descolamento da retina.
A pedagoga Esmeralda Barros Moreira, 46 anos, que perdeu a visão em dezembro do ano passado, por causa de catarata e descolamento de retina, diz também ter gostado da experiência. ''Ainda estou aprendendo a ver as coisas através do tato.'' Cega do olho esquerdo e com apenas 10% de visão no direito, a estudante Fátima Gonçalves de Mello, 49 anos, se encantou com o casco de uma tartaruga. ''Consigo ver as coisas, mas nunca tinha visto pessolmente muitas plantas e bichos expostos aqui'', enfatiza.
O convite aos deficientes visuais é uma excelente forma de demonstração de inclusão social, na avaliação da coordenadora da área visual do Núcleo Regional de Ensino, Lucinéia da Silva. ''Muitos dos visitantes nunca tiveram oportunidade de conhecer um pé de café ou de tatear um peixe. É uma atividade enriquecedora'', destaca.
A experiência também entusiasmou os estagiários de Biologia. ''Na maioria dos eventos não são criadas possibilidades para dar acesso às pessoas com deficiência. Acho que todos devemos refletir sobre isso'', afirma o estudante Alan Lorenzeti. Ao acompanhar os visitante com deficiência visual ele diz ter aprendido tanto quanto ensinou. ''Até quem enxerga deveria explorar outros sentidos. Dessa forma teríamos experiências muito mais enriquecedoras.''

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