O juiz da 1ª Vara Criminal do Fórum de Umuarama, Alberto Luiz Marcos dos Santos, aceitou denúncia contra as seis pessoas acusadas de fraudarem o bingão realizado na cidade em setembro de 1995 e que terminou em quebra-quebra. Os envolvidos vão responder processo por estelionato e, se condenados, podem pegar de um a cinco anos de cadeia. Também podem ser condenados a devolver o dinheiro às pessoas que compraram cartelas do bingo.
Os principais implicados são Mário Eduardo Correia da Silva, diretor da empresa Pro-a-Mark, de Curitiba; o ex-presidente do Noroeste Atlético Clube (NAC), José Carlos de Lima, o ‘‘Pelanca’’; e a empresária Márcia Aparecida Mori, na época presidente da Cooperativa de Bairros de Umuarama.
Realizado em 17 de setembro, um domingo, o bingo reuniu cerca de 10 mil pessoas no Estádio Lúcio Pepino. A confusão começou durante o sorteio do quarto prêmio, um Corsa 0 Km. Desconfiada da fraude, a multidão invadiu o campo, pôs fogo no carro, quebrou equipamentos e danificou outros veículos. Na confusão, prêmios menores que já haviam sido sorteados foram roubados.
O irmão da empresária Márcia Mori, Jonas de Jesus, foi o ‘‘ganhador’’ do Corsa. Os organizadores devolveram todas as pedras ‘‘cantadas’’ no globo e conferiram a cartela apenas pelo computador, incluindo a pedra 70, que constava na cartela do ganhador mas não havia sido ‘‘cantada’’. Jonas de Jesus também vai responder processo por envolvimento na fraude. Além dele, foram denunciados o digitador Cristiano Kucher e o locutor Carlos Alberto dos Santos.
O promotor Pedro Valter Torrezan disse que há provas suficientes para incriminar os envolvidos. Ele disse que mais uma pessoa teria que ser denunciada: João Leal, sócio de Silva na Pró-a-Mark, que não foi indiciado no inquérito porque a polícia não conseguiu documentos e endereço dele. Leal está desaparecido e no Departamento de Identificação do Estado existem mais de 40 pessoas com este nome.
No inquérito, que levou um ano e nove meses para ser concluído, a polícia apurou que a Pro-a-Mark, o Nac e a cooperativa de bairros estavam em situação irregular. Por isso, emprestaram o nome da liga de futebol de Guarapuava para conseguir autorização para promover o bingo. A Cooperativa de Bairros de Umuarama foi ‘‘criada’’ dias antes para participar do bingo. A empresa Pro-a-Mark e o Nac também não exitem mais. Ninguém sabe informar onde foram parar os quase R$ 120 mil arrecadados com a venda de cerca de 12 mil cartelas.

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