Cornélio Procópio A polícia identificou ontem o segundo motorista envolvido no acidente que matou o estudante João Vitor Proença Mileo, 23 anos, segunda-feira à noite, no Centro de Cornélio Procópio. Outras cinco pessoas ficaram feridas. Segundo o delegado Agenor do Nascimento Filho, um adolescente de 16 anos, que dirigia um Fiat Strada, confessou ter participação no acidente, ao perseguir a Chevrolet D-20 que bateu no Fiat 147 da vítima.
O delegado disse ainda que, segundo o depoimento do menor, os dois carros não disputavam um racha, conforme informações de testemunhas. ''Ele alega que não foi racha. A D-20 teria forçado uma ultrapassagem e provocado um abalroamento (batida) lateral. O menor teria perseguido a caminhonete para anotar a placa. Como a D-20 estava em alta velocidade, não conseguiu parar na preferencial e bateu no Fiat'', relatou o delegado.
O motorista da D-20, Felipe Freitas dos Santos, 21, de acordo com o delegado, também negou a hipótese de racha. ''Ele disse que ficou assustado ao ser perseguido por um veículo desconhecido e não conseguiu parar na preferencial.'' Santos deixou o hospital ontem e deve ser convocado nos próximos dias para depor. O adolescente identificado ontem mora com o pai em São Paulo e estaria passando alguns dias com a mãe na cidade, de acordo com o depoimento.
O promotor João Eduardo Fonseca afirmou que o adolescente deverá responder o processo em liberdade, já que, aparentemente, é réu primário e não tem antecedentes criminais. ''Ainda vamos consultar a ficha dele'', ponderou. Mesmo com o enfraquecimento da possibilidade de racha, segundo entendimento da polícia, o promotor sustenta que a hipótese não está descartada. ''Esse negócio de perseguição foi o que o menor disse, mas eu acredito que tenha sido um racha, mesmo que não premeditado. Eles podem muito bem ter parado no sinal, olhado um para a cara do outro, e decidido iniciar a disputa.''
Fonseca continua defendendo que a morte do estudante deve ser qualificada como homicídio por dolo eventual, praticado quando o autor assume os riscos de matar outra pessoa. ''O motorista da D-20 sabia dos riscos ao dirigir em alta velocidade'', disse. O Ministério Público determinou a apreensão dos três veículos.

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