Envolvidos em neonazismo são soltos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Diego Ribeiro<BR> Equipe da Folha 
Curitiba Depois de Ricardo Barollo, o homem apontado pela polícia como o principal líder neonazista do Brasil, acusado de ser mandante do assassinato do casal Bernardo Dayrell, 24 anos, e Renata Ferreira, 21, a Justiça decidiu soltar os suspeitos de serem os executores do crime. Barollo saiu da prisão no começo desse mês. Os corréus saíram durante esta semana.
A reportagem da FOLHA revelou durante as investigações do caso que a intenção do grupo neonazista era se infiltrar na política. O começo do que eles chamavam de Projeto seria dentro de pequenas cidades, como Quatro Barras, Região Metropolitana de Curitiba. A morte de Dayrell teria ocorrido em razão de um desentendimento com Barollo. Os dois concorriam em grupos neonazistas semelhantes, apesar de Dayrell ter se interessado pelo neonazismo por influência de Barollo, segundo a polícia.
No dia 2 de julho, a defesa de Barollo impetrou o pedido de habeas corpus e alegou que a prisão preventiva do seu cliente não tinha fundamentação suficiente para mantê-lo na cadeia. O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) acatou a solicitação. Com o mesmo entendimento dos desembargadores do TJ-PR, o juiz substituto da vara criminal de Campina Grande do Sul, Ademar Staernadt, estendeu o habeas corpus aos outros cinco suspeitos.
Na opinião do promotor do caso, Otacílio Sacerdote Filho, a soltura de Barollo e dos outros envolvidos pode gerar graves consequências. Com ele (Barollo) solto, os outros correm perigo. Barollo chegou a fazer uma ameaça velada contra os corréus pedindo uma acareação, sob justificativa de que eles não reafirmariam as acusações na frente dele. Isso é uma forma de intimidação, ressaltou. O MP-PR adotará nova estratégia para reverter as decisões da Justiça, entrando com pedidos de prisão individualizados.
O advogado de defesa de Barollo, Adriano Sérgio Nunes Bretas, disse que as acusações do MP-PR contra seu cliente não passam de especulações sem fundamento. Segundo ele, seu cliente tem prestado satisfação de cada passo que tem dado. Ele está colaborando com a Justiça, argumentou.


