Envenenamento de dona-de-casa desafia a Polícia de Goioerê
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de novembro de 1996
Sid Sauer 
GOIOERÊ - Um caso de envenenamento ocorrido no início do ano está intrigando a Delegacia de Goioerê (78 quilômetros a oeste de Campo Mourão). A dona-de-casa Nair Gomes da Silva Moreira, 42, morreu envenenada em janeiro após tomar uma garrafa com ervas medicinais, mas o caso só chegou ao conhecimento da polícia no mês passado, com a denúncia de um irmão da vítima. Agora, o viúvo, o servente de pedreiro Gentil Moreira, 43, e um filho dele, o pedreiro João Batista Moreira, 24, trocam acusações sobre o destino da garrafa, que sumiu.
A história começou há pouco mais de um mês, quando o irmão de Nair que mora em Curitiba, Agenor Gomes da Silva, 36, esteve em Goioerê e se assustou ao ver que o atestado de óbito apontava envenenamento como a causa da morte. Como ela não havia deixado nenhum indício de que desejasse se suicidar, Silva procurou a polícia. A partir daí, o caso passou a ser investigado. Parentes contaram em depoimento que Nair bebia catuaba com ervas medicinais.
O viúvo afirmou que a mulher costumava tomar uma bebida que misturava pinga, vinho e noz moscada, mas que no dia em que morreu ela teria acrescentado buchinha paulista, uma erva considerada venenosa. Gentil é suspeito pela morte da mulher porque o casal vinha tendo problemas no relacionamento, mas ele negou o envenenamento. Também disse que não sabe se foi a própria Nair quem colocou a buchinha na mistura, e se ela sabia do perigo da erva.
Acareação Gentil contou ainda que entregou a garrafa para o filho, que a teria jogado fora. João, por sua vez, diz que foi o pai quem jogou a garrafa no Arroio Schimidt, um córrego que corta a cidade. A contradição dos depoimentos de pai e filho obrigou a polícia a fazer uma acareação entre os dois, mas sem resultados. A próxima testemunha a ser ouvida será um curandeiro do distrito de Jaracatiá, que teria preparado a poção de ervas medicinais tomada por Nair.
Segundo laudo de exame cadavérico indireto, feito através dos prontuários existentes na Santa Casa, Nair morreu por ingestão de substância tóxica, provavelmente algum tipo de veneno. A exumação do corpo é descartada porque, de acordo com o Instituto Médico Legal (IML), os 10 meses que se passaram inviabilizam a identificação do veneno.


